Uma pessoa pode pegar fogo, entrando em combustão espontânea?

Gente que pega fogo sozinha

CIRURGIAS INFLAMÁVEIS

A Cachaça da Happy Hour

Alguém pode pegar fogo, entrando em combustão espontânea? Quais as chances de uma pessoa se incendiar em plena mesa de cirurgia? Parece meio bizarro, mas na teoria pode acontecer.

Recentemente, um júri nos EUA concluiu que um cirurgião, realizando uma cesariana numa mulher, não foi responsável pela paciente ter ardido em chamas durante o procedimento médico.

Tanto a mãe quanto o bebê estão vivos e sadios, mas o incidente deve ser preocupante para qualquer um que precise ser atendido num hospital.

“Quase todos os incêndios em salas de cirurgia começam no paciente ou até dentro dele”. Assim começa o relatório menos reconfortante do planeta.

A maior parte das pessoas que o lerem irá focar na palavra “dentro”. O que poderia ocorrer numa mesa de cirurgia para que as entranhas de alguém peguem fogo?

A pergunta é respondida pelo relatório do Instituto ECRI, uma instituição sem fins lucrativos que tenta trabalhar nas boas práticas da medicina.

Gente que entra em ignição

Esta linha é seguida por uma garantia ainda mais perturbadora: a maior parte dos incêndios “se apaga rapidamente e logo são esquecidos”.

Um problema: o ambiente cirúrgico é bastante inflamável.

Gazes, cortinas, o álcool desinfetante, pomadas à base de petróleo, todos podem pegar fogo. O paciente também pode contribuir para as chamas com os pelos ou os gases do aparelho digestivo.

A disponibilidade de óxido nitroso e a necessidade de se usar gás oxigênio em alguns procedimentos dá “força” para que minúsculas chamas cresçam e se alastrem.

Daí que qualquer vazamento no suprimento de oxigênio pode fazer com que o gás se acumule, e ele é mais pesado do que o ar.

O relatório do ECRI afirma que ele tende a se acumular nas dobras de cortinas e cavidades do tronco humano. Logo, se o seu corpo estiver aberto, um combustível gasoso e um oxidante estão bem próximos um do outro.

Auto-combustão humana

Há também mais fontes de ignição nos hospitais modernos. Fontes antigas incluíam brocas e instrumentos cortantes que geravam muito calor.

Lasers e fibras óticas têm sido cada vez mais usados durante cirurgias. Às vezes, estão quentes o suficiente para queimar imediatamente, em outras necessitam de tempo para realizar o efeito desejado em alguma área do corpo.

Até as luzes da sala, se ficarem muito focadas em um ponto particular, podem causar uma faísca que causam um incêndio numa cortina, e que se espalha rapidamente com ajuda do oxigênio.

Entre 550 e 650 incêndios cirúrgicos ocorrem nos EUA todos os anos, de acordo com o Departamento de Administração de Alimentos e Medicamentos.

Apesar de nenhuma agência declarar ser capaz de eliminar completamente a possibilidade de fogo, elas fazem recomendações de como reduzir os riscos.

Cirurgias próximas ao rosto e o pescoço (devido à barba e outros pelos faciais) e com cavidades abertas no tórax, requerem cuidado extra.

Eles também recomendam o uso do mínimo de oxigênio possível, além de se certificar que o álcool não seja derramado na pele ou em cortinas.

No Jornal Ciência

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