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Transtorno bipolar: loucos são os outros… eu sou ‘normal’

Enviado por em 13 de agosto de 2011 – 13:152 Comentários


Bipolaridade

MAS… QUEM NÃO É?

Do blog BananaPost

Com o passar do tempo e com o entendimento pelos bem-pensantes de que a ‘loucura’ é muito, muito relativa, de ‘psicose’ passou-se a denominar ‘transtorno’, ainda maníaco e ainda depressivo, para se chegar à atual formulação, digamos mais amena, de ‘transtorno bipolar’ ou bipolaridade.

BIPOLARES, UNI-VOS!

Por Luiz Caversan *

Um dos grandes paradoxos contemporâneos é a resistência quase pétrea da sociedade em relação aos que ela considera desiguais, diferentes, esquisitos. Como se a sociedade em si não fosse diferente, esquisita, desigual e, a cada dia que passa, muito mais que isso.

Mas parece que o leitmotiv da contemporaneidade extemporânea é mesmo se alimentar da intolerância, enxergando no outro aquilo que não vê (e não suportaria…) em si próprio.

Bipolaridade é um transtorno de comportamento que, como o próprio nome diz, tem duas pontas: ou o sujeito está deprimido ou está eufórico (maníaco na linguagem médica), com momentos maiores ou menores de algum equilíbrio, durante os quais a vida pode até parecer normal.

No mais das vezes, ou o mundo, as pessoas, a existência são uma grande tragédia ou um grande limbo, pegajoso e escuro, nos quais o transtornado se enreda num sofrimento sem fim, paralisado; ou então tudo é uma grande festa, na qual o protagonista (ainda o transtornado…) tem o poder, a força, tudo quer, tudo alcança, e se expõe e se compromete e se arrisca, sem medo nem noção de que pode estar jogando fora a própria vida, quando não a de familiares também.

Antigamente, esse comportamento-gangorra, em que a existência se assemelha a uma montanha russa de emoções conflitantes, era diagnosticado sob a sigla PMD, psicose maníaco depressiva. Tratada com estabilizadores de humor como ácido valpróico ou antidepressivos e lítio, podia e cada vez mais pode ter algum controle.

Bipolaridade

Com o passar do tempo e com o entendimento pelos bem-pensantes de que a loucura é muito, muito relativa, de psicose (distúrbio mental grave, segundo o Houaiss) passou-se a denominar transtorno, ainda maníaco e ainda depressivo, para se chegar à atual formulação digamos mais amena de transtorno bipolar ou bipolaridade.

Assim é que evolui o nome, evolui o tratamento, evolui a capacidade de os portadores deste mal interagirem cada vez mais normalmente com o mundo que os cerca, mas ainda há muito o que evoluir no entendimento coletivo do que se passa na cabeça das pessoas e deixar de se incomodar tanto com isso.

Quem nunca ouviu ou até mesmo disse algo como ‘Nossa, fulano está tomando remédio de tarja preta!’, como se isso fosse uma sentença de morte e não eventualmente a procura de um caminho mais curto de tornar a vida menos insuportável?

E quantos por aí não consideram a vida absolutamente insuportável, porque no mais das vezes ela pode mesmo ser, e acha que está tudo bem com sua cachola?

Loucos são os outros, certo?

Então vamos nessa, bipolares, depressivos, compulsivos e maníacos, que este bonde aqui está lotado de iguais.

Duvida?

Então dê uma lida no jornal de hoje, veja o noticiários sobre as coisas que estão rolando agora mesmo pelo mundo e diga para você mesmo:

– Eu sou normal!

* Luiz Caversan, 55 anos, é jornalista, produtor cultural e consultor na área de comunicação corporativa.

* * *

Blog BananaPost - o porta-voz da macacada


2 Comentários »

  • byClaudioCHS disse:

    Medo…
    Vontade de dar um grito,
    ou calar-se para sempre
    De ficar parado, ou correr
    De não ter existido
    ou deixar de existir (morrer)
    Não há razão quando a mente não funciona
    (redundante, não?)
    Vão extinguindo-se as questões
    mesmo sem respostas
    Perde-se, neste estágio,
    a vontade de saber.
    O futuro é como o presente:
    É coisa nenhuma, é lugar nenhum.
    Morreu a curiosidade
    Morreu o sabor
    Morreu o paladar
    parece que a vida está vencida
    Tenho medo de não ter mais medo.
    Queria encontrar minhas convicções…
    Deus está em um lugar firme, inabalável,
    não pode ser tocado pela nossa falta de confiança
    Até porque, na verdade, confio nele
    O problema é que já não confio em mim mesmo
    Não existe equilíbrio para mentes sem governo
    A química disfarça, retarda a degradação
    mas não cura a mente completamente
    e não existem, em Deus, obrigações:
    já nos deu a vida, o que não é pouco,
    a chuva, o ar, os dias e noites
    Curar está nele, mas, apenas retardaria a morte
    já que seremos vencidos pelo tempo
    (este é o destino dos homens)
    e seremos ceifados num dia que não sabemos
    num instante que mira nossa vida
    e corre rápido ao nosso encontro lentamente
    (ou rasteja lento ao nosso encontro rapidamente?)
    Sei lá…
    Mas não sei se quero estar aqui
    para assistir o meu fim
    Queria estar enclausurado, escondido…
    As amizades que restam vão se extinguindo
    e os que insistem na proximidade
    são os mesmos que insistirão na distância,
    o máximo de distância possível.
    A vida continua o seu ciclo
    É necessário bom senso
    não caia uma árvore velha, podre, sobre as que ainda estão nascendo.
    Os que querem morrer deixem em paz os que vão vivendo
    Os que querem viver deixem em paz os que vão morrendo
    Eu disse bom senso?
    Ora, em estado de pânico não se encontra bom senso
    nem princípios, nem razão, nem discernimento,
    nem força alguma
    Torna-se um alvo fácil
    condenável pelos que estão em são juízo
    E questionam: onde está sua fé?
    e respondo: ela estava aqui agora mesmo…
    ela não se extingui, mas parece que as vezes se esconde de mim…
    o problema é que, quando a mente está sem governo
    (falo de um homem enfermo)
    é como um caminhão que perde o freio
    descendo a serra do mar…
    perde-se o contato com a fé e com tudo o que há…
    e por alguns instantes (angustiantes)
    não encontramos apoio, nem arrimo, nem chão, nem parede, nem mão…
    ah… quem dera, quem dera…
    que a mão de Deus me sustente neste instante…
    em que viver é tão ou mais difícil que conjulgar todos os verbos…
    porque sou, neste momento
    a pessoa menos confiável para cuidar de mim mesmo…
    tenho medo, medo…
    medo de perder o medo
    de sair da vida pela porta de saída…
    medo de perder o medo
    de apertar o botão “Desliga”…

    http://progcomdoisneuronios.blogspot.com

    .

    [Responder]

  • byClaudioCHS disse:

    QUAL DE MIM SOU EU…?

    Aqui, o poeta
    não é simplesmente
    um gênio do conhecimento
    dos sentimentos humanos
    Na verdade
    não há gênio
    (e nem conhecimento)
    o que se passa
    é que não passo
    a palavra
    a personagens,
    nem empresto a voz
    a ilustres heterônimos:
    dividem-se, em mim,
    dois pólos
    que não se comunicam
    não dividem o espaço
    Cada um,
    a seu tempo
    preenche-o completamente
    assenhoream-se
    dominam-no
    como se não tivera
    outro dono
    são pólos inconciliáveis
    incomunicáveis
    incompatíveis de gênio
    senhores de si
    e as vezes de mim
    me confundem
    são cheios de razões
    não sei o que sou
    são parasitas
    alimentam-se
    da minha consciência
    e só percebo
    que não são eu
    quando se vão.
    Mas… alternam-se
    tão rapidamente
    que nem tenho tempo
    de ser eu mesmo
    Eu? Desculpem-me:
    quem sou eu?
    Não sei…
    Só sei que não sou eles
    (mas também não sou eu…)
    pois no curto espaço
    de tempo
    em que se ausentam
    sou apenas
    o vácuo,
    vazio absoluto
    Deus, olha pra mim…
    e cura-me
    antes que julguem-me
    e condenem-me
    porque
    ninguém
    irá
    exorcisar
    o que não são
    possessões
    mas dualidades:
    euforia e medo…

    http://progcomdoisneuronios.blogspot.com

    .

    [Responder]

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