Trabalhando de graça para fazer a fortuna de Zuckerberg

Facebook - usuários da rede social

DANDO MOLE PRO TUBARÃO

O Chefe de Redação

Todos os dias entregamos de graça, em troca de algum pequeno benefício, montanhas de informações estratégicas para os donos do Facebook e do Google. Ou seja, somos levados à condição de doadores de uma mercadoria preciosa que gera fortunas bilionárias nas mãos de outras pessoas mais espertas do que nós. A lógica nos diz que, no mínimo, estamos fazendo o papel de idiotas ou de otários.

OS NOVOS BILIONÁRIOS COM BENS ALHEIOS

por Carlos Castilho *

A rede social Facebook acaba de lançar ações em bolsa num negócio que foi avaliado em 75 bilhões de dólares pelos investidores norte-americanos e europeus. Mas os ativos físicos da empresa criada em 2004 pelo então adolescente Mark Zuckerberg não somam nem uma fração mínima do seu valor de mercado.

O que a rede Facebook tem de realmente valioso não pertence a ela, mas sim a você. Esta é a nova lei da economia digital baseada na internet, onde o grande paradigma ainda é o Google, cujo valor de mercado girava, em 2011, em torno dos 174 bilhões de dólares.

Assim como a rede social, a empresa que controla o principal sistema de buscas na Web também usa como ativo mais valorizado o seu e o meu conhecimento, que entregamos de graça em troca de algum benefício como contato com amigos ou informações online.

Os chamados ativos intangíveis são hoje a mercadoria mais valorizada na economia digital, o que leva a uma reflexão sobre nosso papel como usuários e fornecedores de informações. Estamos sendo levados à condição de doadores de uma mercadoria preciosa que gera fortunas bilionárias nas mãos de outras pessoas.

A lógica convencional nos diz que, no mínimo, estamos fazendo o papel de idiotas ou otários.

Mas não adianta reclamar porque na realidade estamos entrando num outro terreno lógico, onde a produção de conhecimento responsável pela inovação passou a ser o motor da economia capitalista. O conhecimento não se produz mais apenas nos laboratórios, mas nas ruas, florestas, comunidades e redes, só para citar alguns contextos mais comuns.

Todos nós colocamos diariamente na Web uma massa enorme de dados, informações, fatos e conhecimentos, mas recebemos em troca um valor mínimo em serviços fornecidos por empresas como a Facebook e o Google.

Em suma, um péssimo negócio pela matemática financeira na qual fomos educados.

As empresas já descobriram, ou pelo menos estão tentando descobrir como fazer dinheiro com informações, dados e conhecimentos alheios. Depois de constatar esta realidade, cabe a nós fornecedores dessa matéria-prima valiosa investigar como podemos ser também levados em conta num novo sistema de gestão de riquezas.

Não será uma tarefa fácil e nem rápida porque estamos começando do zero num ambiente altamente complexo e absolutamente novo. Mas já existem alguns indícios, tomados a partir de fatos isolados registrados na Web, de que a valorização, inclusive financeira, dos usuários da internet começa com o desenvolvimento da idéia da cooperação.

As reações de usuários do Google e Facebook a modificações nas políticas de privacidade de ambas as empresas mostram que quando eles se articulam para defender interesses ou desejos, situações imprevistas acontecem.

A cooperação parece utópica num contexto social onde fomos educados para valorizar o individualismo, mas Yochai Benkler, co-diretor do Berkman Center for Internet & Society, da Universidade Harvard , decidiu aprofundar o estudo do tema no livro The Penguin and the Leviathan: How Cooperation Triumphs over Self-Interest.

O professor de direito fez uma ampla pesquisa nos estudos de neurociência e afirma no seu livro que nós somos muito mais cooperativos do que imaginamos.

Dados científicos não faltam para Benkler basear sua afirmação, mas ele mesmo reconhece que a massa de evidências e experiências sobre a cooperação entre internautas ainda precisa aumentar muito para vencer os valores culturais do individualismo entranhados no nosso dia a dia.

* No Observatório da Imprensa

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