Solidariedade entre pilotos inimigos na guerra vai virar filme

AVIADOR ALEMÃO SALVOU OS AMERICANOS


No início da Segunda Guerra Mundial havia uma certa “ética” entre os pilotos inimigos. Nos combates aéreos a ideia era neutralizar as metralhadoras, mais do que derrubar os aparelhos com a tripulação de bordo. Com a entrada dos americanos no conflito, aí sim começou a carnificina desvairada nos céus.

Segunda Guerra Mundial

Mas tinha gente com caráter humanista capaz de mudar um capítulo daquela guerra. Depois de atacar Bremen, um bombardeiro B-17 americano foi severamente atingido por caças alemães Messerschmitt.

O aparelho estava em frangalhos quando finalmente conseguiu se livrar dos aviões da Luftwaffe, a força aérea germânica, que nem se importaram muito.

Também, do jeito que estava, ele não iria durar muito, caindo no Mar do Norte. Tinha rombos na fuselagem, avarias no bico e na cauda, tripulantes mortos e outros feridos, nenhum poder de fogo.

Perdia altitude rapidamente e o piloto decidiu tentar chegar na Inglaterra, mesmo sabendo que suas chances eram remotíssimas.

Podia ter saltado de para-quedas, ele e os que ainda tinham condições, mas não quis deixar feridos a bordo. Ou tentava salvar seus colegas, ou morreriam todos.

Nesse meio-tempo, o tenente Franz Stigler decolou de uma base próxima na Alemanha para mais uma missão e acabou encontrando o bombardeiro agonizando.

Poderia ter dado o tiro de misericórdia, o que lhe conferiria a Cruz de Ferro, mais alta condecoração da Luftwaffe para quem atingisse um certo número de inimigos abatidos.

Mas ele percebeu que o avião americano estava à beira do colapso. “Meu Deus, como ele ainda está voando?”, se perguntou. E decidiu que iria tentar salvar aqueles inimigos.

Que não seria justo, honesto, honroso derrubar quem não tinha mais como se defender. Emparelhou o avião e, com gestos, tentou indicar outra rota, para a neutra Suécia. Era mais perto, eles teriam uma chance.

Pilotos alemão e americano

No B-17, os americanos não estavam entendendo nada. Ficaram esperando o ataque inevitável, mas não desviaram seu rumo. Foram dez minutos de tentativas de comunicação do alemão e de perplexidade dos americanos.

Stigler sabia que as baterias antiaéreas em terra tentariam acertar o inimigo e se manteve como escudo dos americanos. Funcionou, porque os alemães não iriam atirar no bombardeiro correndo o risco de acertar o Messerschmitt.

Havia um problema, porém: ele seria recebido pela Gestapo quando voltasse à base e, provavelmente, acusado de traição e condenado à morte. Correu o risco.

O bombardeiro seguiu para o espaço aéreo inglês e Franz desistiu de tentar convencer seus inimigos de que a rota ideal era para a Suécia. Voltou. Nunca soube o que aconteceu com o B-17.

Para sua surpresa, não foi acusado de nada. Se alguém viu o que fez, não contou a ninguém.

Os americanos, incrivelmente, conseguiram pousar na Inglaterra. O piloto do bombardeiro nunca soube quem era aquele alemão bom que se recusou a abater seu avião.

Charlie Brown, o piloto, manteve essa história em segredo até 1985 quando, já aposentado na Flórida, fez o relato numa reunião de veteranos de guerra.

Ela acabou sendo publicada numa newsletter de uma associação de ex-pilotos alemães. Cinco anos depois, o texto chegou a Stigler, que desde 1953 vivia em Vancouver, no Canadá, para onde emigrara.

Os dois se encontraram. E passaram a contar suas histórias em palestras pelo mundo. Ambos morreram em 2008.

A história vai virar livro e filme. É linda.

Com Flávio Gomes

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