Risco de ‘inverno nuclear’ em parte do Japão por até 300 anos

Acidente nuclear no Japão

Do blog ECOnsciência

O pior cenário da tragédia nuclear japonesa — a fusão do núcleo dos três reatores — já ocorreu ou está em andamento. A situação saiu de controle e atingiu ‘grau sete’, o ponto máximo na escala que mede a gravidade dos acidentes nucleares.

A avaliação é do cientista Edmund Lengfelder, do Instituto Otto Hug, de Munique, que estuda os efeitos de Chernobyl há mais de 20 anos.

Ele considera que a densidade demográfica no Japão, 20 vezes maior do que a da região de Chernobyl, tornará esse acidente mais grave do que aquele ocorrido há vinte e cinco anos; os reatores japoneses “têm muito mais material radioativo e o mantêm por mais tempo que o de Chernobyl”.

Lengfelder vê perigo em “todos os países com usinas nucleares, inclusive o Brasil”, acha curto o raio de distância de 30 quilômetros, para a retirada da população e diz que “a região ficará inabitável por até 300 anos”.

‘PARTE DO JAPÃO PODE FICAR INABITÁVEL POR TREZENTOS ANOS’

BERLIM – A situação no Japão é dramática e, dependendo da gravidade do acidente nuclear, parte de seu território pode virar terra de ninguém. Veja nesta curta e objetiva entrevista:

Como o senhor avalia a situação em Fukushima?

EDMUND LENGFELDER: É dramática! Na minha opinião, já ocorreu ou está ocorrendo a fusão do núcleo dos três reatores, ou seja, a pior crise possivel. As informações têm sido contraditórias porque o governo quer evitar o pânico. O Japão não tem uma politica de informação muito mais transparente do que a União Soviética na época de Chernobyl, há quase 25 anos. Mas os japoneses têm muitos problemas paralelos, com o terremoto, a tsunami e a crise nuclear.

As autoridades japonesas estão ainda tentando esfriar o reator com água do mar. A medida pode ter efeito?

LENGFELDER: Não acho que vá funcionar, a situação está descontrolada.

A Agência Internacional de Energia Atômica deu à gravidade da situação em Fukushima grau quatro em uma escala até sete. O senhor concorda?

LENGFELDER: Eu diria que o grau de gravidade da situação no Japão é de sete. Em 1991, a agência anunciou que não havia nenhum problema de saúde em consequência da explosão em Chernobyl, mas já foi provado que a ocorrência de câncer de tireoide entre crianças que viviam na região era 30 vezes maior do que antes do desastre.

Se acontecer a fusão do núcleo, quais as consequências?

LENGFELDER: Isso depende de muitos fatores. Mas a densidade demográfica no Japão é 20 vezes maior do que a da região de Chernobyl (na Ucrânia, perto da fronteira com a Bielorrússia). Além disso, os reatores como os do Japão têm muito mais material radioativo e o mantêm por mais tempo que o de Chernobyl, que era usado principalmente na produção de plutônio para a indústria armamentista. Ao ser liberado, libera também muito mais partículas radioativas na atmosfera. Isso faz com que o perigo de Fukushima seja muito maior.

A queda de um avião ou um atentado terrorista em uma usina nuclear poderia causar o mesmo?

LENGFELDER: Sim. Com esse perigo precisam contar todos os países com usinas nucleares, inclusive o Brasil.

Uma das medidas tomadas pelo Japão foi a retirada da população de um raio de 30 quilômetros. Essa distância é segura?

LENGFELDER: Eu acho curta demais. No caso de Chernobyl, foi estabelecida uma zona proibida de 30 quilômetros ao redor do reator. Mas, cinco anos depois, foi descoberto que uma região da Bielorrússia, a 140 quilômetros, tinha recebido radioatividade.

Se houver o pior desastre nuclear possível, por quanto tempo a região ficará inabitável?

LENGFELDER: Apenas as medições poderão dizer. Em geral, calcula-se um tempo comparável a dez vezes a meia-vida do estrôncio e do césio, que é de 30 anos. Quer dizer, a região ficará inabitável por até 300 anos, previsão que é grave, sobretudo para um país com uma densidade demográfica como a do Japão.

Via Luis Nassif

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