Rafinha Bastos pode levar fumo superior a 100 mil reais na Justiça


Casa de Shows Comedians - Rafinha Bastos

GROSSO E VASCULARIZADO

Do blog BananaPost

A culpa deve ser da linguagem judicial barroca, mergulhada naquele juridiquês manjado e ornamentada com expressões exageradas, típicas dos advogados.

De todo jeito, ficou hilária a petição inicial da ação de indenização por danos morais movida pelo casal Marcus Buaiz e Wanessa Camargo, contra o pretenso humorista Rafinha Bastos, que deu entrada no fórum de São Paulo, no último dia 13.

Como o caso está a cargo de uma renomada banca de advocacia, é bom o (ex?) CQCista metido a engraçadinho ir preparando o bolso: é de 100 mil reais, mais uma montanha de custas, o tamanho do fumo de rolo que espera por ele no banco dos réus.

Só para dar um gosto, veja parte da peça jurídica:

(…) O RÉU

4.- O demandado RAFAEL, mais conhecido como “Rafinha”, compõe (ou à época compunha) o quadro de apresentadores do programa “CQC” (“Custe o que Custar”), da Rede Bandeirantes de Televisão, que protagoniza (ou protagonizava) ao lado dos jornalistas MARCELO TAS e MARCO LUQUE.

5.- Notório é que, pretextando comicidade, o dito “Rafinha” vem se celebrando pelas grosserias que difunde naquela atração televisiva e alhures. Por sinal, algumas delas recentemente anotadas pela revista “Veja – São Paulo” na extensa matéria que, tendo conquistado a capa do semanário, foi a ele recentemente dedicada.

Entre outros exemplos dessas brutalidades, nas suas aparições o Réu já proferiu frases que, negativamente, ganharam imenso destaque:

(a) “Toda mulher que vejo na rua reclamando que foi estuprada é feia pra caralho. Tá reclamando do quê?”;

(b) “É octógono cadela! Põe esse nariz no lugar!” (aludindo a Daniela Albuquerque, apresentadora da “Rede TV”);

(c) “Aí , órfãos! Dia triste hoje,hein?” (mencionando o “Dia das Mães”);

(d) “Já comi muito a mãe dele!” (referindo o repórter Felipe Andreoli).

Recentemente, em mensagem eletrônica enviada a uma repórter da “Folha de S. Paulo”, o Réu privilegiou a tosca obscenidade: “Chupa o meu grosso e vascularizado cacete…”. Ou, reportando-se a uma operadora de telefonia móvel segundo ele utilizada por “prostitutas e traficantes”, “Rafinha” adicionou: “É celular usado por traficante, e o pior é que eles sabem disso. Não é à toa que têm Fábio Assunção como garoto-propaganda.”

6.- Mundialmente, o Réu é a pessoa mais influente do “Twitter”, título este que, por óbvio, deveria aumentar-lhe a responsabilidade naquilo que assoalha. Não obstante, infenso ao comedimento, à prudência e à elementar polidez, e desdenhando a dignidade e a reputação daqueles aos quais alude, o Réu orgulha-se de que “Nunca fui o sacaneado, sempre fui o sacana.”

Ora, ao por si extenso rol das vítimas de suas bufonarias e de seus escárnios, faz pouco “Rafinha” resolveu convocar os Autores.

A OFENSA PERPETRADA

7.- Com efeito. No último dia 19 de setembro, no programa “CQC”, a propósito do que acabara de atestar o “âncora” MARCELO TAS sobre a beleza gravídica da Autora WANESSA (“Gente, que bonitinha que tá a Wanessa Camargo grávida!”), o Réu de imediato acrescentou, gesticulando para dar ênfase: “Eu comeria ela e o bebê, não tô nem aí! Tô nem aí!”

Exibindo-se a cópia em “CD” do programa e a respectiva transcrição tabeliã, e nisso visando a que V. Exa. tenha bem presente o sórdido pronunciamento de “Rafinha”, repita-se a incivil observação do Réu sobre a gravidez e a subjacente formosura da Autora: “Eu comeria ela e o bebê. Não tô nem aí , tô nem aí!”.

8.- Por óbvio, a glosa televisiva do Réu não expressou, apenas, mau gosto da pior espécie, incompatível com o que se possa razoavelmente rotular de verdadeiro e saudável humorismo. Tampouco se restringiu, o Réu, ao terreno da cafajestice chinfrim, mais adequada às conversas livres de “machões” embriagados que se refestelem em botequins ou casas de tolerância. Nem sequer limitou-se, a afirmativa de “Rafinha”, a desrespeitar o comando, posto na Constituição Federal (art. 221, inc. IV), que manda os programas de televisão respeitarem “os valores éticos e sociais da pessoa e da família”.

A par de tudo isso — — ou seja, do péssimo gosto, da biltraria rasteira e do desdém à Constituição — —, malferindo a dignidade dos atingidos o Réu injuriou a todos os autores da presente ação na medida em que, menosprezando o estado civil da autora WANESSA (casada com o autor MARCUS, pai do nascituro), parlapateou a sua vontade de com ela fornicar, chegando ao inimaginável cúmulo de nessa cópula abranger ao “bebê”, isto é, ao nascituro demandante, desejos relativamente aos quais, para empiorar, “Não tô nem aí , tô nem aí!”.

9.- Aliás, a aleivosia cometida por “Rafinha” dispensa maiores explicações. Ela existe em si mesma, in re ipsa, não encontrando excludente de nenhum tipo e sem que consiga socorrê-la a escusa do animus jocandi. Afinal, conforme doutrinado, “As pilhérias de mau gosto, sujeitando a pessoa ao ridículo e à galhofa, não se coadunam com uma intenção inocente. Não é admissível que, por amor à pilhéria, se tolere que alguém se divirta ou faça divertir à custa da reputação ou decoro alheios. Uma coisa é gracejar, outra é ridicularizar . Neste último caso, o dolo subsiste.”

A CONDUTA POSTERIOR

10.- Presumir-se-ia que, após a veiculação de ofensa desse porte, melhor refletindo e apurando a repercussão do que dissera e a reprovação pública ao seu comentário — — repreensão essa endossada pelas declarações de seus próprios companheiros de “CQC” e do diretor artístico do programa — —, o Réu viesse a se retratar, lealmente admitindo o abuso no qual incorrera. Ou, no mínimo, buscando suavizar a aleivosia assacada, anunciasse a ausência de intuito ofensivo naquilo que dissera.

11.- Contudo, nenhum desses foi o comportamento de “Rafinha”. Pelo contrário, mossa nenhuma lhe causando o que antes dissera, o Réu iria agravar as injúrias lançadas, evidenciando com essa postura que delas não se arrependera. Bem ao revés, se envaidecera.

12.- Por exemplo, quando punido pela direção da Rede Bandeirantes com o seu afastamento do programa, “Rafinha” inseriu no seu “twitter” fotografias com mulheres seminuas massageando-o, dando-lhes o título “Que noite triste para mim…”

Doutra parte, não contente com o escancarado deboche, o Réu fez circular pela “Internet” vídeo, por ele mesmo encenado, que o colocava em uma churrascaria onde, teimando em rememorar o comentário injur ioso aos Autores, recusava as ofertas de “baby beef” e de “fraldinha”, a par de enjeitar qualquer coisa para “bebê” (beber).

13.- Insistente, o Réu não tem abandonado o assunto, nem a menção aos Autores, nos “shows” teatrais que realiza. Por sinal, dessas ocasiões aproveita para reafirmar deselegâncias (“Vocês esperavam o quê? Piada de português? Eu como bebê gente, sou canibal! ”) e menoscabar eventual responsabilização judicial (“Ah, mais um processo…”).

14.- Sintetizando, “Rafinha” não só, explícita ou implicitamente, não quis remediar ou abrandar a expressão detratora previamente endereçada aos Autores, como ademais, após a ilicitude originária, ampliou o seu propósito injur ioso com a prática de novas baixezas e vilanias, persistindo em agredir-lhes a dignidade.

15.- Dessarte, as ofensas à honra cujo ressarcimento é nesta ação impetrado compreendem (1º) a primeira arremetida injuriosa, vertida no programa “CQC” de 19 de setembro próximo passado, e (2º) aqueles outros doestos, complementares à primeira agressão, lavrados nas sucessivas manifestações do Réu. A todos esses atentados à honra, que participam de um conjunto lesivo uno e harmônico, “Rafinha” deverá ressarcir. (…)

Completo no Luis Nassif

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