Pobreza mundial acabaria com 25% da renda dos 100 mais ricos

Distância entre ricos e pobres

A EXPLOSÃO DA RIQUEZA


O Chefe de Redação

A pobreza extrema mundial poderia ser totalmente erradicada com apenas 25% da renda líquida do reduzido e exclusivo grupo das 100 pessoas mais ricas do planeta. Esta é a reflexão a ser feita durante a realização de mais um Fórum Econômico de Davos, quando os donos do mundo vão se encontrar para tomar decisões que aumentem ainda mais o seu patrimônio.

RENDA DOS 100 MAIS RICOS PODE ACABAR QUATRO VEZES COM A POBREZA

Por Marco Antonio Moreno *

A explosão da riqueza e os rendimentos extremos aprofunda a desigualdade e dificulta a capacidade mundial de combater a pobreza.

A advertência foi feita pela organização internacional Oxfam num comunicado divulgado às vésperas do Fórum Econômico de Davos, que ocorrerá de hoje até 17 de janeiro.

Os 240 bilhões de dólares de renda líquida das 100 pessoas mais ricas do planeta bastariam para acabar quatro vezes com a pobreza extrema, segundo o relatório “O custo da desigualdade: como a riqueza e os rendimentos extremos prejudicam a todos”.

O relatório faz um apelo aos líderes mundiais para conter os rendimentos extremos e que se comprometam com a redução da desigualdade, pelo menos até os níveis existentes em 1990.

Distribuição de renda

O 1% das pessoas mais ricas do planeta aumentaram os seus rendimentos em 60% nos últimos 20 anos e a crise financeira só tem acelerado esta tendência, em vez de a reduzir.

O estudo (arquivo em PDF) adverte que a riqueza e os rendimentos extremos não só não são éticos, como além disso são economicamente ineficientes, politicamente corrosivos, dividem a sociedade e são destrutivos para o meio ambiente.

José Maria Vera, diretor geral de Intermón Oxfam, afirma que “não podemos continuar a fingir que a geração de riqueza para uns poucos beneficiará o resto — e muitas vezes a realidade é a contrária”.

Para ele, a concentração de recursos nas mãos do 1% mais rico debilita a atividade econômica e torna a vida mais difícil para o resto – particularmente para os mais vulneráveis e os mais pobres.

“Num mundo no qual até os recursos mais básicos, como a terra e o água, são a cada dia mais escassos, não podemos permitir-nos concentrar ativos nas mãos de uns poucos e deixar a maioria a guerrear pelo que fica”.

Desigualdade Social

A estimativa é de que cada uma das pessoas que integram o seleto grupo do 1% mais rico do planeta utiliza 10.000 vezes mais carbono que um cidadão médio norte-americano.

Como paradigma da tendência contrária encontra-se o Brasil, que tem crescido rapidamente ao mesmo tempo em que reduz a desigualdade — bem como o sucesso histórico dos EUA nos anos 30 quando se implantou o New Deal de Roosevelt, que ajudou a reduzir a desigualdade e a controlar os interesses espúrios.

Nesta mesma linha manifesta-se Vera, assegurando que “precisamos um New Deal global para reverter décadas de incremento da desigualdade”.

Como primeiro passo os líderes mundiais deveriam comprometer-se formalmente a reduzir a desigualdade para os níveis existentes em 1990.

“Desde paraísos fiscais até débeis leis de emprego, os mais ricos se beneficiam de um sistema econômico global montado a seu favor. É hora de que os nossos líderes mudem o sistema para que funcione no interesse de toda a humanidade em lugar de o fazer para uma elite mundial”.

Acabar com os paraísos fiscais — que escondem cerca de 32 trilhões de dólares (ou um terço da riqueza global) poderia gerar 189 bilhões de dólares adicionais nas receitas fiscais.

* No Ronaldo – Livreiro

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