O desafio do bem-estar em tempos de incertezas e inquietações

POR QUE ANDAMOS TÃO TRISTES E INFELIZES?

Ser humano transformado em código de barras

Vivemos, sem dúvida, o momento mais cerebral da vida humana, assistindo à incansável luta pelo acesso e controle da mente coletiva por parte de grupos políticos, financeiros e midiáticos.

E o bem-estar já apresenta alguns tiques da sociedade de consumo, criando espaços para manipulação. Mas bem-estar não seria o bem-existir, bem-viver, nada tendo a ver com sofrimento?

O fato é que o bem-estar mercantilizou-se a um mesmo ritmo em que a sua expressão torna-se cada vez mais ligada a símbolos de status econômico.

O mesmo acontece no ensino, nas famílias, nas empresas… bem, acompanhe o raciocínio de Paulo Vieira de Castro, mentor do Modelo Dharma Marketing – Marketing de Proximidade Real.

POR QUE SOFREMOS NOS AMBIENTES DE TRABALHO?

A perda da identidade dos povos está na origem da inquietação que experienciamos nos dias atuais.

Transformando o bem-existir em algo que se pode imaginar como um bem de consumo vamos perdendo rapidamente as nossas raízes, as nossas estratégias de origem, o nosso ser.

A sociedade de consumo nos introduz aquilo que se pode chamar de mundo sem função.

No caso do bem-estar será o mesmo que dizer “ausência de uma dimensão da existência concretizadora de propósito humano”. E, daqui nasce todo o nosso sofrimento.

Assim se permite que muitos entre nós tenham se transformado em espectadores de si mesmos, ignorando, apesar da evolução tecnológica, a responsabilidade de ser e existir como humano.

O certo é que quando este fenômeno se reproduz nas famílias, nas escolas, nas organizações… já há pouco a bem-viver.

QUANTO VALE O TEMPO QUE SE PASSA TRABALHANDO?

Pelo que se observa, a resposta a esta questão não poderia ser mais desanimadora.

Para justificar as horas passadas nas organizações como tempo de não bem-existir, podemos fazer outra pergunta: imagine-se com apenas 24 horas de vida pela frente. O que você faria com esse pouco tempo que lhe resta?

É pouco provável que alguma pessoa no mundo relacionasse o tempo de trabalho como parte da lista de prioridades perante tal desafio.

Então, por que razão a vida profissional é, tantas vezes, entendida como o horário nobre das nossas vidas? Por que motivo colocamos nosso emprego à frente de tudo?

A resposta é dolorosa: é que somos escravos, prisioneiros das dívidas, sem se dar conta disso. Esta é uma condição que nos leva a perder o rumo do bem-estar. Por quê?

UM MUNDO SEM FUNÇÃO…

Para perceber o quanto o mundo mudou, e nós com ele, devemos estudar as palavras. Um bom exemplo seria “lar”. Todos sabemos o que é. A palavra tem a sua origem no conjunto de deuses romanos protetores do domicílio familiar.

Onde queremos chegar?

É que o nosso lar possui hoje, sabe se lá por que diabos, uma energia que não tem mais tanto a ver com a família, com a nossa origem, já que a nossa casa passou a ser um ativo financeiro!

Por esta razão, aceitamos ser escravos das nossas mais incompreensíveis dívidas… E assim, apesar de mais ricos materialmente, somos cada vez mais infelizes, mais sofridos.

Mas, voltemos às nossas 24 horas de vida. Por norma, as respostas a esta questão são muito comuns no âmbito e no modo.

Desde logo, importa salientar que bem poucos são os que dependem de excepcionais condições materiais para realizar os seus últimos sonhos ou enfrentar os seus medos mais profundos.

Só assim compreenderão a importância do perdão, da gratidão, da honra, do amor, do compromisso, do abandono da culpa e do medo, do quanto somos corajosos e etc.

Por tudo isso, poderemos dizer que, no essencial, para estar realizados, dependemos de pouco, que é, afinal, ainda muito…

DINHEIRO TRAZ FELICIDADE MESMO?

Solução: mudar as razões pelas quais estamos nas empresas, nos mercados, nas equipes, nas famílias e na vida em geral. É uma questão de tempo e todos perceberemos isso muito bem.

Por exemplo, ter dinheiro não nos enobrece, apenas o que fazemos com ele poderá proporcionar a felicidade de nos sentirmos mais úteis.

Concluindo, face ao momento presente, o bem-estar nas organizações, nas sala de aula, nas famílias depende disso mesmo: de muito pouco.

Por que nos dispersamos em guerras, sentimentos que não são de união? O bem-estar é a única dimensão que poderá concorrer para este fim de maneira definitiva.

A espiritualidade, o esporte ou a arte são apenas formas de expressão deste algo maior, ou seja, elas não são um fim em si mesmas, apenas a ponte para cada um de nós próprios. Para o nosso bem-estar.

E esta é uma experiência exclusivamente individual.

Lamentavelmente, vivendo, agora, de certezas incontornáveis, refugiando-se na ansiedade e na neurose, o homem moderno esquece-se – tantas vezes – de procurar a harmonia como o seu meio de vida.

Este é, na atualidade, o grande desafio do bem-estar.

E isso já é uma forma de transcendência, de vivenciar o seu lado espiritual. Não se esqueça: ser criativo é ter um pé do lado de Deus – seja lá o que isso (Deus) quer dizer.

* No Jornal Tornado

2 comentários em “O desafio do bem-estar em tempos de incertezas e inquietações

  • 19 de julho de 2016 em 22:47
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    Amei esta! Passei a trabalhar com o que finalmente descobri AMAR fazer. Estou trabalhando mais, mas, mais feliz tb! Quando o foco é somente ganhar dinheiro para o ‘ter’, o viver na verdade, fica em segundo plano. O ‘ter’, para a maioria, não é para satisfazer a si próprio, mas sim, para viver para os outros, mostrar para os outros. Aquele que se alimenta do ‘ter status’, no fundo, é infeliz, porque vive para os outros e não para Si.

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    • 20 de julho de 2016 em 11:52
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      E nós amamos a sua reflexão, Abigail, felizes porque você seguiu o novo caminho profissional que imaginávamos. Estamos de olho. Parabéns e sucesso!

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