Humor canastrão do CQC afunda com o Ibope da Band


Politicamente incorreto

HUMOR POLITICAMENTE INCORRETO

O Chefe de Redação

A decisão da direção da Band de afastar Rafinha Bastos por tempo indeterminado do programa CQC parece estar ligada à repercussão negativa das agressões a mulheres junto ao público telespectador.

O fato é que a emissora farejou que vai começar a perder muito dinheiro com isto. Depois de ter batido em 6,4 pontos no Ibope em junho, a “atração” despencou para 4,6 na última segunda-feira, 3 de outubro.

Sobre a polêmica envolvendo Rafinha Bastos e sua trupe é recomendável a leitura do texto de Milton Ribeiro, intitulado O CQC ainda está no jardim da infância do politicamente incorreto:

(…) O escritor e publicitário Nelson Moraes, que mantém o blog Ao Mirante, Nelson! – atualmente “em coma” –, fala sobre os insultos: “Caras como o Rafinha Bastos se valem do nicho ainda aberto de um humor politicamente incorreto no Brasil (nicho que a TV Pirata conseguiu mais ou menos preencher na década de 80). Então, ele acha que fazer apologia ao estupro, à truculência, à grosseria é preencher este nicho. Lembra o menino na escola gritando palavrões lá no fundo da classe, esperando ser mandado à diretoria pra poder chamar a professora de reacionária”.

Para Nelson Moraes, o problema específico do CQC independe da passividade em relação à emissora onde é apresentado. “Se formos olhar o formato do programa, os caras não têm timing, estão sempre um tom acima, são canastrões que acham que textos irreverentes atenuam uma encenação mambembe. Aquilo é uma tentativa de humor. Na verdade, o Brasil ainda está no jardim da infância do politicamente incorreto. Nosso senso de humor vai de um extremo a outro — do escracho com os desfavorecidos – o que em si não é problema, se não fosse monotônico — à superproteção aos desfavorecidos — o famoso humor a favor, que é o cancro da piada. Praticamente não temos nuance, é tudo em torno disso”.

O CQC é uma franquia de uma produção argentina, já antiga. A sigla original significa “Caiga Quien Caiga” (Caia quem caia), cuja melhor tradução talvez seja “Doa a Quem Doer”. Durante muitos anos o programa foi apresentado na TV América argentina e reproduzida pela TVA aqui no Brasil. Os apresentadores argentinos eram muito bons e o que chamava a atenção era a total falta de cerimônia em perguntar o que o público gostaria de saber. Esta seria a principal diferença entre o original e a cópia, pois em vez de colocar os entrevistados em dificuldades por fatos de sua biografia, muitas vezes parte-se para o insulto ou a para uma saia-justa baseada numa livre-associação de trocadilhos e pegadinhas”. (…)

Leia a análise completa de Milton Ribeiro no Sul 21

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O Chefe de Redação


2 comentários em “Humor canastrão do CQC afunda com o Ibope da Band

  • 11 de outubro de 2011 em 22:10
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    O boçal dançou, não é isso?

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  • 11 de outubro de 2011 em 08:33
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    RAFINHA BASTOS – A QUEDA

    “Rafinha Bastos pediu demissão da Band”. A notícia (esperada) caiu como uma bomba (de chocolate) nos interessados em TV, nos que respeitam as mulheres, nos que são contra piada de mau gosto com órfãos e o resto da humanidade que ainda tem bom senso nesse mundo.

    Como existe internet, a provável saída do moço pôde ser acompanhada, como novela, pelo twitter (quem precisa de televisão) como se assistíssemos a um episódio sobre um humorista desesperado que mete os pés pelas mãos.

    Primeiro, ele avisou que uma matéria sua iria ao ar pelo “CQC”. Minutos depois, disse que não iria mais, por decisão da Band. Ao mesmo tempo, soubemos que o humorista havia respondido a um email de uma repórter da Folha com os seguintes termos: “chupa o meu cacete grosso e vasiculado.” Como assim. Ele endoidou. A novela no Twitter pegou fogo. Segundo o colunista do UOL, Flavio Ricco, o pedido havia sido feito há uma semana.

    Mas, acompanhando a novelinha pela internet, dava para perceber que o tal Rafael não queria mesmo manter seu emprego. E que ele havia (no pior dos sentidos) chutado o pau da barraca. Isso com toda a arrogância e o mau gosto que sempre demonstrou cada vez que fez uma piada absurda, ofensiva, sem graça.

    Após ser afastado da bancada do “CQC” semana passada, ele não pediu desculpas. Em nenhum momento mostrou estar arrependido. Postou fotos no Twitter cercado de mulheres bonitas dizendo que “estava numa boa” e usou uma expressão americana que tem a sua cara: “shame on you”. Algo como “vergonha de você”. Ele se dirigia a todos os seus críticos (a essa altura milhares, e não mais um grupo pequeno de chatos que são contra a liberdade de expressão, como ele –e seus defensores– sempre se referiram a quem o criticava) como legenda de uma foto onde fazia caridade e se dizia um cara legal.

    Exagerar na piada: acontece. Falar bobagem: acontece. Mas em nenhum momento admitir que errou, pisou na bola e foi punido não é coisa corriqueira, não. É atitude de arrogante sem limite. “Shame on you”, Rafinha Bastos.

    http://f5.folha.uol.com.br/colunistas/ninalemos/988815-rafinha-bastos-a-queda.shtml

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