Deu a louca nos tucanos: Huck ou Serra para o governo do Rio

Luciano Huck - tucano na favela

CALDEIRÃO PAULISTA

O Chefe de Redação

2013 começa bem humorado, com uma piada política: Luciano Huck e José Serra cogitados para concorrer ao governo do estado do Rio de Janeiro pelo PSDB.

Façamos todos aqui uma pausa para rir. Prontos? Adiante, então.

Os paulistas seriam cruéis demais se exportassem Serra para os fluminenses.

“Vejam o que fish em São Paulo”, podemos imaginá-lo dizendo no programa eleitoral gratuito, um certo sotaque acariocado para que o eleitor se sinta mais familiarizado.

E então apareceriam enchentes gigantescas, favelas em todos os cantos, congestionamentos épicos. Soninha e Kassab dariam seu testemunho também. Fotos de Serra na praia ou com a camisa do Mengão seriam mandatórias, naturalmente.

Dada a capacidade destrutiva de Serra, não sei se o Cristo Redentor resistiria a seu falso preparo, a sua engravatada inépcia administrativa.

“Agora vai” poderia ser o slogan.

Pergunta: quem poderia pensar numa hipótese dessas? FHC, Aécio, o próprio Serra?

Os romanos tinham um provérbio: se você não sabe para onde vai, nenhum vento ajuda. O imperador Otávio (não o da Barão de Limeira) o repetia. Sêneca também.

Pensar, ainda que por segundos, em Serra para o Rio sugere que o PSDB, aliás o partido que escorregou para a direita radical, segundo a qual justiça social é coisa de comunista, simplesmente não tem noção para onde deve ir.

Essa possibilidade é reforçada quando partimos para o segundo nome citado, o de Huck, um paulista que, felizmente para São Paulo, a Globo importou.

Huck poderia também no programa eleitoral mostrar sua obra aos cariocas: Tiazinha e Feiticeira. Se as duas foram o bastante para a Globo contratá-lo, quem sabe funcionem também para torná-lo governador e, talvez, um pouco adiante, presidente.

Ou não?

“Olha o número de seguidores que ele tem no twitter”, talvez um cacique tucano tenha dito numa tempestade de ideias. Transformar seguidores em eleitores é fácil? Então temos a chapa perfeita: Huck e Bonner. A enorme simpatia que a Globo desperta seria um ativo para a dupla.

“Merval e Noblat recomendam”, poderia estar escrito nos cartazes da campanha. “Jabor e Míriam também!”, diria um segundo cartaz.

Talvez até Reinaldo Azevedo pudesse reforçar a campanha, com sua comprovada capacidade de fazer vitoriosos em eleições relevantes. “Estes não são apedeutas!”, diria a chapelete em um terceiro cartaz.

Huck gosta de dizer que é um “cabeça pensante”, seja lá o que isso significa.

Como Roberto Justus, parece dormir de robe e passar laquê no cabelo, sempre impecavelmente penteado. Aliás, Justus poderia se sentir preterido, e reclamar por não ter sido lembrado para o papel de salvador tucano.

Para atrair os eleitores, é preciso percorrer um caminho duro, pedregoso e sinuoso. Você tem que convencer o brasileiro da rua de que o seu projeto social é melhor do que o que está em curso.

E você tem que fazer esse brasileiro confiar que, uma vez no poder, não vai dar preferência e vantagens a quem ao longo da história sempre foram beneficiados sob a alegação de que o bolo teria que crescer para ser dividido depois, e depois, e depois.

Ou você faz isso, luta onde a luta tem que ser travada para conquistar o coração e o voto dos brasileiros, ou então faz um golden gol — descobre o nome miraculoso, capaz de atalhar tudo e colocar você de volta no poder.

Com Serra e Huck, ainda que apenas cogitados, o PSDB parece estar se movendo na segunda alternativa: busca o milagre.

Com Diário do Centro do Mundo

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