Cooperação entre empresas pelo desenvolvimento

Povo pula de alegria e felicidade

Do blog ECOnsciência

Um novo Estado começa a ser construído. Ele deve garantir o desenvolvimento de um padrão civilizatório brasileiro. Para o economista Márcio Pochmann, do Ipea, “urge agora fazer do futuro o experimentalismo do presente”.

A HORA E A VEZ DO NOVO ESTADO

Por Márcio Pochmann *

A recente crise mundial tornou mais evidente o conjunto de equívocos que resulta da recente experiência neoliberal. Os países que mais longe avançaram o princípio da autorregulação das forças de mercado e da desregulamentação do Estado encontram-se entre os mais frágeis e vulneráveis no contexto atual de turbulências e incertezas globais.

Fácil imaginar como a economia brasileira estaria débil e à deriva se a trajetória privatista e de inserção externa subordinada aos interesses dos países ricos dos anos 90 não tivesse sido interrompida.

Sem bancos públicos (BB, CEF, BNB e BNDES) e empresas estatais, como Petrobras e Eletrobrás, por exemplo, o Brasil não teria a mínima condição de responder positivamente à crise do crédito e do investimento privado da forma como o fez. Países que se desfizeram de bancos e empresas públicas, como o caso argentino, ainda convivem com dificuldades para enfrentar afirmativamente a crise.

No Brasil, a fase da privatização implicou reduzir a participação dos bancos públicos de mais de 50% para quase um terço da disponibilidade total do crédito doméstico, enquanto a transferência para o setor privado de empresas estatais respondeu por 15% do PIB e pela destruição de mais de 500 mil postos de trabalho.

Em valor, o processo de privatização brasileiro somente conseguiu ser inferior à experiência soviética, com parte significativa do setor produtivo estatal sendo capturado pelo capital estrangeiro.

Da mesma forma, a opção política pela diversificação comercial permitiu ao Brasil o reposicionamento no mundo com soberania. Esta estratégia foi bem diferente das economias com exportações concentradas em poucos países, como ficou claro com o México, com mais de 80% do comércio externo só com os EUA. A recessão nos países ricos contaminou mais facilmente aquelas nações dependentes de suas trocas externas.

Para o Brasil, o peso dos países ricos no comércio externo encontra-se pouco acima de 40%, quando nos anos 90 era de mais de 67% do total. (…)

Agora um novo Estado começa a ser ser construído. Ele deve ser o meio necessário para o desenvolvimento do padrão civilizatório contemporâneo em conformidade com as favoráveis possibilidades do Século XXI.

A sociedade pós-industrial, com ganhos espetaculares de produtividade imaterial e expectativa da vida ao redor dos 100 anos de idade, abre inédita e superior perspectiva civilizatória: educação para a vida toda, ingresso no mercado de trabalho depois dos 25 anos, trabalho menos dependente da sobrevivência e mais associado à utilidade e criatividade sócio-coletiva.

O esvaziamento da competição precisa ser rapidamente substituído por novas instituições portadoras de futuro, capazes de garantir a continuidade da inovação por meio de um novo tipo de concorrência combinada com a cooperação entre empreendedores e da maior regulação das grandes corporações empresariais. (…)

Muito mais do que anunciar as dificuldades de crises globais, cabe ressaltar as oportunidades que delas derivam como a realização de uma profunda reforma do Estado que viabilize o alcance das condições pós-crise para sustentação do novo desenvolvimento ambiental, econômico e social.

Urge sempre fazer do futuro o experimentalismo do presente.

* Márcio Pochmann – Economista e presidente do Ipea, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.

Resumo de artigo publicado no site da CONTEE – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino

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