Como surgiu o Dia da Mentira em primeiro de Abril

SEM GRAÇA: TODO DIA É DIA DA MENTIRA

Dia da Mentira

Primeiro de Abril talvez ainda seja uma data para as crianças fazerem algum tipo de zoação com os coleguinhas mais inocentes ou distraídos.

No universo adulto a brincadeira perdeu a graça, desde que os meios de comunicação da velha mídia se apropriaram da mentira, transformando-a em coisa séria e num hábito diário.

Mesmo assim, ainda ter uma data oficial para mentir pode parecer estranho, mas acontece desde o período romano.

Ao que se sabe, durante as festividades para celebrar a entrada da primavera, era comum enganar e fazer piadas e brincadeiras.

A tradição foi incorporada ao cristianismo, que trocou as orgias e banquetes por uma eleição do rei dos tolos. Mas isso não significa, para o cidadão comum, que a mentira seja prerrogativa desta data.

Uma pesquisa britânica já revelou que os homens contam em média três mentiras diárias, enquanto as mulheres são desonestas aproximadamente duas vezes por dia.

Psicólogos explicam que as pessoas mentem, basicamente, porque funciona. Ao obter bons resultados com uma inverdade, elas tendem a repetir o ato para conseguir novamente o efeito positivo.

Ao relembrar as origens da tradição, nos ocorre um fragmento de poesia de Affonso Romano de Sant’Anna, muito apropriado para uma reflexão sobre o papel da velha mídia nos dias atuais:

A IMPLOSÃO DA MENTIRA

Mentiram-me. Mentiram-me ontem
e hoje mentem novamente. Mentem
de corpo e alma, completamente.
E mentem de maneira tão pungente
que acho que mentem sinceramente.

Mentem, sobretudo, impune/mente.
Não mentem tristes. Alegremente
mentem. Mentem tão nacional/mente
que acham que mentindo história afora
vão enganar a morte eterna/mente.

Mentem. Mentem e calam. Mas suas frases
falam. E desfilam de tal modo nuas
que mesmo um cego pode ver
a verdade em trapos pelas ruas.

Sei que a verdade é difícil
e para alguns é cara e escura.
Mas não se chega à verdade pela mentira, 
nem à democracia pela ditadura.


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