BV é um ‘baita viagra’ financeiro para a velha rede Globo

AUDIÊNCIA CAI, MAS SOBE O FATURAMENTO

Bonificação por Volume

Por uma questão de saúde mental pública, neste domingo espetacular trazemos o fantástico assunto do BV das organizações Globo aos debates em torno do chamado Mensalão. Você já ouviu falar da miraculosa fórmula que garante a potência financeira da empresa, mesmo com a audiência brochada?

É o seguinte: há fortes indícios de que os 74 milhões de reais que foram definidos na acusação aos réus como “dinheiro público” eram, na verdade, BV pagos por uma empresa privada (Visanet) por serviços prestados por uma agência (DNA).

Num artigo da semana passada o colunista Jânio de Freitas, da Folha, escreveu sobre isso.

(…) perícia de especialistas do Banco do Brasil concluiu pela existência das comprovações necessárias de que os serviços foram prestados pela DNA. E de que foi adequado o pagamento dos R$ 73,850 milhões, feito com recursos da sociedade Visanet e não do BB, como constou. Perícia e documentos que os ministros vão encontrar em breve.

Duas coisas emergem disso tudo.

Primeiro, que é vital dar mais prazo de defesa para os réus para que os dados novos possam ser debatidos de uma maneira civilizada.

Joaquim Barbosa deve isso – o prazo – não aos réus, mas à justiça e à sociedade.

Segundo, os brasileiros devem ser inteirados do que é BV, e isso já deveria ter acontecido faz muito tempo. (Aqui, você pode encontrar informações boas e imparciais sobre o BV.)

Como escreveu Jânio de Freitas, os juízes talvez “ignorem” o que é BV, mas os donos das empresas de mídia não.

Boa parte da fortuna pessoal deles foi erguida em cima do BV.

BV são as iniciais de Bonificação por Volume (uma espécie de “bônus por veiculação”). Essencialmente, quanto mais uma agência de publicidade anuncia num veículo, mais ela recebe uma “comissão”.

Foi, como se poderia imaginar, uma invenção da Globo – mais uma, entre tantas contribuições nocivas à sociedade.

Roberto Marinho – que como mostram os documentos pessoais de Geisel no revelador livro Dossiê Geisel cobrava “favores especiais” da ditadura em troca do apoio editorial que garantia na Globo – criou o BV, e logo foi seguido pela Abril e pelo mercado.

Bônus por Volume

A sociedade não sabe por que motivo a mídia jamais publicou nada sobre isso, mas o Tribunal de Contas da União (TCU) questiona direitinho o efeito do BV nos contratos públicos.

Os técnicos do TCU entendem que o BV “tem o potencial de afetar a escolha das agências, consistindo em mecanismo que as estimula a concentrarem a publicidade em menor número de veículos”.

A invenção esperta, amoral e abjeta da Globo na década de 1960 levou exatamente a isso: uma brutal concentração de publicidade nela própria.

A Globo – e não está longe o dia em que este absurdo se colocará à sociedade com a devida clareza – tem 60% da receita publicitária do Brasil.

Isso conduziu, como se vê hoje, não apenas à riqueza desmesurada da família Marinho — mas a um monopólio de opinião que só foi rompido com a internet.

Os brasileiros sofreram, ao longo dos anos, uma brutal intoxicação das opiniões de Roberto Marinho, disfarçadas em intervenções pelo interesse público.

Graças ao BV, a receita publicitária da Globo em 2012 bateu um recorde positivo em todos os tempos mesmo com a audiência também batendo recordes negativos.

Este contraste explica tudo.

Como em tantas coisas no Brasil, o BV floresceu na completa falta de transparência que a mídia ajudou a criar em assuntos de seu exclusivo interesse.

Não é apenas o BV. O dia em que forem devidamente publicadas as mamatas das empresas de jornalismo — o papel imune e, em pleno 2013, a reserva de mercado que coíbe a concorrência estrangeira – a sociedade vai entender por que as famílias da mídia acumularam tanto dinheiro e poder.

É bem possível, como sugere Jânio de Freitas, que diante de tão pouca informação sobre o BV, também os juízes do STF – incluído Joaquim Barbosa — não o conhecessem ao julgar o mensalão.

Por tudo isso é imperioso que, primeiro, seja dado o devido prazo para os recursos.

Depois, que se traga transparência a uma invenção de Roberto Marinho — o BV — que, lamentavelmente, sobreviveu a ele.

Com Diário do C. do Mundo

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