Ampla vitória da ‘base aliada’ consolida o projeto Dilma 2014

Sepultura política de José Serra

RESULTADO PRÁTICO DAS ELEIÇÕES 2012

O Chefe de Redação

Colunistas da mídia milenarista se desdobram na patética retórica da negação do óbvio, mas o resultado das eleições municipais, ao contrário do que argumentam, fortalece sim o projeto “Dilma 2014”.

Afinal, entre as 50 maiores cidades do país com segundo turno, nada menos que 75% elegeram candidatos ligados à base aliada do governo.

“Não resta dúvida nenhuma de que os partidos aliados foram vitoriosos”, avalia o analista político Antônio Augusto de Queiroz, diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

Para Queiroz, a sensação de “bem-estar” da população, sustentada por crescimento do emprego e da renda, além de políticas públicas, prevaleceu sobre o espetáculo midiático promovido no julgamento do chamado mensalão, no Supremo Tribunal Federal (STF).

“É claro que se não houvesse a denúncia do mensalão o PT teria crescido muito mais. Mas entre uma acusação ético-moral e uma sensação de bem-estar, o eleitor prefere racionalmente optar pela segunda tese. Até porque quem está acusando o PT pratica algo muito parecido”, afirma o analista do Diap.

Nesse sentido, ele considera o PT vitorioso política e eleitoralmente.

“Politicamente porque enfrentou uma campanha dos meios de comunicação com o objetivo de carimbar o partido como corrupto. É uma vitória indiscutível. Voltou à condição de partido mais votado na eleição municipal. Mesmo perdendo em Belo Horizonte, criou uma alternativa importante para o governo de Minas”.

“A oposição decresceu em número de votos e prefeituras. E a base do governo aumentou”, prossegue o analista. “O núcleo estratégico do governo federal cresceu em número de votos”, acrescentou, citando PT, PSB, PCdoB e PDT.

“Até o Psol, que faz uma oposição à esquerda, cresceu. Todos os demais – de oposição ou de uma situação mais conservadora – regrediram.” Ele considera o PSD a surpresa desta eleição, embora com muita concentração no Sul.

Segundo o diretor do Diap, alguns indicadores sociais foram determinantes nesta eleição, como o crescimento do emprego, “que não se justifica frente ao crescimento do PIB” e o aumento da renda.

“Mas o governo tem outras políticas de inclusão social que fazem com que haja uma situação de bem-estar. Os acordos salariais tiveram ganhos reais. E houve ganhos com a redução dos juros.”

Ele considera que o setor “mais atrasado” adotou um discurso na tentativa de desqualificar o PT e tirá-lo da disputa, já pensando em 2014.

O PSB, “ainda em fase de consolidação”, deve permanecer como aliado do PT na eleição presidencial. Para o PMDB, partido que diminuiu o número do prefeituras, mas continua como o de maior capilaridade, a alternativa mais viável seria também continuar com o governo, em vez de se arriscar em uma aliança com o PSDB.

Quanto a Serra, o analista acredita que ele poderia no máximo almejar uma vaga no Senado. A candidatura ao Planalto “vai muito provavelmente cair no colo do Aécio Neves, que não vai ter vida fácil se o governo continuar bem avaliado”.

Com Rede Brasil Atual

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