artesanato

objetos decoração acessórios bijuterias jóias cofres brindes

xadrez

tabuleiros peças criatividade jogos raciocínio inteligência

veículos

customização jeeps clássicos volantes manoplas reformas

inovação

criação design tecnologia matrizes protótipos projetos

webdesign

sites construção otimização conteúdos consultoria blogs

Início » artigos, blog a cachaça da happy hour, comportamento, saúde & bem-estar

Além de ficar chato, quem bebe demais não entende piadas

Enviado por em 5 de abril de 2011 – 20:39Comente

Efeitos da bebida
Quem consome álcool em excesso prejudica a sua capacidade de entender piadas: uma sequela neurológica que também compromete a competência social, tanto na vida privada como na profissional.

A Cachaça da Happy Hour

Se você é dependente de bebidas, não adianta fazer cara feia pois a graça acabou totalmente para você. Sim, um estudo feito na Europa mostra que o alcoolismo compromete a compreensão de piadas.

Além das doenças típicas resultantes – incluindo cirrose hepática, pancreatite e danos musculares e cardíacos – o excesso alcoólico modifica sobretudo o metabolismo cerebral e provoca alterações de comportamento.

Piada como instrumento de medição

Quem “toma umas e outras” a mais acaba não achando mais graça em muita coisa – foi a constatação da neuropsicóloga alemã Jennifer Uekermann, após uma pesquisa feita em conjunto com cientistas britânicos.

As anedotas deixam as pessoas alcoolizadas simplesmente perplexas, pois a região do cérebro encarregada do processamento do humor não reage mais à “pegadinha” final, que dá a graça à narrativa.

Piadas são um dos instrumentos utilizados pelos neurologistas para descobrir se e como os dependentes de álcool processam emoções e estímulos sociais.

A seleção de 24 anedotas apropriadas para a pesquisa foi trabalho duro, que coube a Uekermann. “Fiquei responsável por escolher as piadas na internet: para isso li umas 20 mil. E elas tinham que preencher certos critérios, como não se dirigir contra minorias.”

Bebida sem graça

Uma questão era se os dependentes do álcool reagem a emoções nos rostos ou na linguagem falada. “A partir desses estudos que também realizei, passou a interessar-me o que se passa na cabeça de outras pessoas quando, por exemplo, são confrontadas com uma história ou uma anedota”, explica a neuropsicóloga.

Afinal de contas, as piadas são caricaturas de interações sociais.

As duas fases da graça

Em termos científicos, o processamento do humor ocorre em duas fases.

Primeiro, há a descoberta de uma incongruência e o seu esclarecimento. Em segundo lugar, vem a capacidade de também perceber a farsa como algo cômico. E isto depende da competência do ouvinte de se colocar na pele de outra pessoa, o que os neuropsicólogos denominam theory of mind.

Sob este aspecto, os pesquisadores britânicos apresentaram piadas incompletas a 29 alcoólicos e 29 pessoas saudáveis, dando-lhe como tarefa escolher a linha final adequada, entre quatro alternativas apresentadas.

Do primeiro grupo, poucos captaram a essência das piadas: sua cota de acertos foi de apenas 68%, contra 90% entre os não-alcoólicos. Um fato que denota deficit funcional-cognitivo, explica Uekermann.

Álcool e humor

Humor privado e profissional

Entre as diversas regiões do cérebro responsáveis pela decodificação do humor, a principal é o córtex pré-frontal. Situado na região da testa, ele desempenha funções-chave na convivência humana, entre elas o processamento de estímulos sociais e os processos mnemônicos no planejamento e na solução de problemas.

Portanto, o fato de o córtex pré-frontal não reagir a uma piada – independentemente de o indivíduo cair na gargalhada ou não –, denota problemas no contato com outras pessoas, tanto na vida profissional quanto privada.

Os resultados dessa pesquisa formam para Uekermann a base de um treinamento de competência social no contexto da terapia do alcoolismo, “de modo a facilitar o dia-a-dia para os alcoólatras, diminuindo suas dificuldades interpessoais”, explica.

Mesmo tendo que lidar forçosamente com o cômico, por motivos profissionais, a neuropsicóloga não desaprendeu o riso. “Em geral, ainda sou capaz de rir com vontade – em especial de mim mesma. Mas, assim, de piadas normais, é difícil rir depois desse trabalho.”

Dá para entender perfeitamente, vindo de alguém que teve que medir o “fator divertimento” de 20 mil anedotas.

Autor: Klaus Deuse

Comente!

Adicione um comentário abaixo, ou trackback para o seu site. Você pode também inscrever-se para esse comentário via RSS.

Seja elegante. Mantenha-se dentro do assunto, não escreva tudo em maiúsculas e, claro, sem Spam.

(necessário)