Acusado de egocêntrico, ativistas tentam destronar Facebook

Protestos contra o Facebook

UNLIKE US x FACEBOOK

O Chefe de Redação

Os protestos já ressoam há tempos e os exemplos são conhecidos. O Facebook é acusado de violar a privacidade de seus milhões de usuários e tem uma posição de monopólio no mundo das redes sociais. Hora para uma nova iniciativa, acreditam os participantes da conferência ‘Unlike Us’, na Holanda. Todos têm uma palavra de ordem: “Destronar o Facebook!”

Programadores e desenvolvedores de novas redes – e que odeiam o Facebook – se reuniram em Amsterdã no último final de semana para falar sobre redes sociais alternativas. As palavras-chave na discussão eram privacidade, anonimato e controle sobre os próprios dados.

SERVIDOR PRÓPRIO

O pesquisador de novas mídias e organizador do evento Marc Stumpel (que não está no Facebook) explica por que isso é necessário:

“É importante que as pessoas vejam que mídia social não é só o Facebook. Por isso estamos dando atenção a alternativas descentralizadas. Não um servidor central onde você põe toda a informação, como o Facebook, mas que você, por exemplo, utilize seu próprio servidor para redes sociais, onde há mais segurança, mais privacidade e mais controle sobre a informação.”

Fatos recentes demonstraram que o Facebook nem sempre é a opção mais segura para publicar informações.

Durante a Primavera Árabe o Facebook foi usado para organizar demonstrações. Mas os regimes repressivos também não ficaram parados. Os governos passaram a usar as redes sociais para detectar e prender manifestantes.

MENOS PERIGO

A fim de garantir um tráfego mais seguro de informações, Michael Rogers (que também não está no Facebook) trabalha há um ano na criação de uma rede com o nome Briar.

“Com o software do Briar pode-se criar redes com qualquer aparelho que alguém tenha à sua disposição. Então, se as pessoas têm celulares inteligentes ou alguns laptops, podem se comunicar com segurança. A informação é codificada. Desta maneira as pessoas não precisam esperar pelo acesso à internet e têm mais autonomia. É ideal para pessoas que correm risco sob regimes repressivos.”

O Briar ainda está em fase inicial. O software ainda está sendo testado. Algo que já está um pouco mais adiantado é a Freedombox. Uma caixa do tamanho de um livrinho que contém um mundo de softwares para a segurança do utilizador.

James Vasile, que é usuário do Facebook, mas com o nível mais alto de privacidade, explica:

“É um serviço que dá liberdade. Uma pessoa num país repressivo que use a caixa pode, através de uma conexão com alguém, por exemplo, nos Estados Unidos, ver sites que em seu próprio país são proibidos.”

GRUPOS

O Freedombox já está sendo testado em diversos países. O que já tem seguidores online é o Crabgrass , um site para contatos. O criador, Elijah Sparrow (que não está no Facebook) comenta que as redes sociais atualmente estão funcionando de maneira completamente equivocada.

“É tudo muito egocêntrico, tudo gira em torno do eu. No Crabgrass partimos do princípio de grupos dos quais você pode fazer parte. É uma plataforma muito transparente no que diz respeito a quem tem acesso a quais informações, mas tudo funciona a partir dos grupos. E a segurança está acima de tudo.”

O Crabgrass tem no momento cerca de 30 mil usuários, principalmente grupos de ativistas.

Nos próximos meses o Freedombox e o Briar serão testados para, quem sabe, mais tarde entrarem online. Resta saber se estas iniciativas irão mesmo destronar o Facebook. Mas, segundo o organizador do ‘Unlike Us’, Marc Stumpel, trata-se de princípios, não há interesses comerciais envolvidos.

“Nem sempre há a ambição de se tornar grande. Trata-se de retirar ‘atravessadores’ como o Facebook e o Google. Em geral eles fazem com que tenhamos menos controle do que gostaríamos sobre nossas informações.”

No RNW

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