“Os Jogadores de Cartas”, de Cézanne: a sobriedade no carteado

Arte impressionista

ANÁLISE DOS QUADROS DO MESTRE IMPRESSIONISTA

“Os jogadores de cartas” não compõem um quadro único, mas uma série de cinco pinturas de Paul Cézanne, elaboradas em seu período final de atividade na década de 1890.

São bons exemplos da maestria de Cézanne em simplificar a imagem e a representação do corpo humano, numa fase pós-impressionista que viria a abrir o caminho para a desconstrução do século XX.

Os ambientes de fundo são diversos, mas o tema central é comum a todas as obras: homens em volta de uma mesa, jogando cartas de forma totalmente concentrada.

Crê-se que alguns dos personagens representados seriam trabalhadores da família do próprio Cézanne.

As cinco obras estão espalhadas por quatro coleções de museus, entre a França, Grã-Bretanha, Estados Unidos e, ainda, uma coleção privada no Qatar.

REINTERPRETANDO A TRADIÇÃO

São várias as linhas de análise sobre estes trabalhos de Paul Cézanne. A mais convencional aponta que ele veio recuperar uma tradição da pintura holandesa do século XVII.

Trata-se do tema dos jogadores de taverna, frequentemente embriagados em um ambiente aparentando decadência e grosseria.

Entretanto, sua interpretação é totalmente diferente: os jogadores em geral são apresentados de forma bem sóbria, focados em seu jogo e sem sinais de festa ou agitação.

Em algumas das telas é até visível uma garrafa de vinho não aberta, reforçando a ideia de sobriedade.

Se Cézanne estivesse trabalhando em nossos dias, poderíamos especular que mostraria alguém jogando um jogo de caça níquel, mas da forma menos emotiva possível, colocando moedas de forma repetitiva e mecânica. Quase como quem joga pôquer.

Trazido para os nossos dias, torna-se evidente o paradoxo entre uma atividade habitualmente frenética e a atitude sóbria e fleumática com que ela é desempenhada.

Pintura pós-impressionista

RECORDE DE PREÇO

Uma das versões de “Os Jogadores de Cartas” foi propriedade de George Embiricos (1920-2011), um magnata e armador grego ligado à construção naval.

Embiricos, estabelecido profissionalmente nos Estados Unidos depois da Segunda Guerra Mundial, foi um apaixonado pela arte. Colecionou obras de gigantes da pintura ocidental e mundial como Kandinsky, Goya, Picasso, El Greco e Van Gogh. Suas pinturas estavam conservadas em sua casa, na Suíça.

Uma das últimas decisões de Embiricos em vida foi a venda, em 2011, da referida versão de “Os Jogadores de Cartas”. O comprador foi a família real do Qatar, que pagou cerca de 250 milhões de dólares (R$ 1,3 bilhões ao câmbio de hoje).

O negócio constituiu um recorde à época, sendo mais tarde superado por “Interchange”, de Willem de Kooning, vendido por 300 milhões de dólares em 2015.

Ambos os negócios foram superados pela venda de Salvator Mundi, de Leonardo da Vinci, em 2017, por 450 milhões de dólares.

EXPOSIÇÃO CONJUNTA

Três das cinco obras estiveram em exposição em Londres e Nova Iorque em dois momentos, entre 2010 e 2011, respectivamente na Galeria Courtauld e no Metropolitan Museum of Art.

O Musée d’ Orsay, de Paris, enviou sua tela para fazer parte da exposição. Já os quadros das coleções da Barnes Foundation e de George Embiricos estiveram apenas representados enquanto impressão.

A Barnes Foundation (Filadélfia, Pensilvânia) tem uma política de não emprestar suas obras, enquanto Embiricos declinou o pedido.

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