Velha mídia e jornalistas decadentes dinamitam a própria reputação

William Bonner

Do Blog Chefe de Redação

Como vampiros que não podem olhar a luz do sol, jornalistas decadentes, ultrapassados e puxa-sacos dos patrões se negam a admitir o alvorecer de um novo tempo. Deve ser horrível para o profissional que antes era a vanguarda da informação, hoje ser anacrônico e tornar-se um especialista de tudo para não se aposentar de vez. Com o advento da Internet como impedir que seus factóides sejam desmontados em alguns minutos, em tempo real?

O VELHO MORREU E ALGO MUDOU

Velho jornalismo é aquele usado para atender interesses mesquinhos, de grupos poderosos que insistem em desejar o atraso do país. Esse antijornalismo ainda é fabricado, mas seu efeito é como o de um placebo.

Esse velho jornalismo, antijornalismo, ainda praticado pela velha mídia (Globo, Folha, Estadão, Veja, Época e afins do Instituto Millenium), agoniza aos gritos, tentando recuperar a supremacia perdida. E deve ser uma tarefa inglória fazer oposição a um governo que tem cerca de 80% de aprovação popular. Os velhos jornalistas passaram a última década bombardeando um ex-metalúrgico que se tornou presidente. Dez anos depois, tudo o que conseguiram foi dinamitar sua própria reputação.

Nas faculdades de jornalismo a velha mídia se tornou motivo de piada para muitos alunos e professores. Um aluno disse ao professor “vamos analisar a Veja”. O professor respondeu: “falar mal da Veja é chutar cachorro morto”. O pouco de respeito histórico que se tinha pela publicação foi jogado no lixo pela própria revista.

Agora pense na dificuldade que esses velhos jornalistas sentem ao tentar se adaptar aos novos tempos. Viviam acostumados a exclusivas com o técnico da seleção brasileira, adiantar informações governamentais com antecedência, ou seja, viviam na crista da onda. Hoje, o máximo que fazem é dinamitar programas de governo elogiados mundo afora, mostrar características negativas da Internet, chamar blogueiros de sujos, fabricar dossiês que ninguém viu, semelhante à escuta de Gilmar Mendes que ninguém ouviu e assim por diante.

Deve ser horrível para o profissional que antes era a vanguarda da informação, hoje ser anacrônico e tornar-se um especialista de tudo para não se aposentar de vez. Como Miriam Leitão, que na década de 90 era economista com informações privilegiadas do governo FHC, mas agora virou especialista de todos os assuntos possíveis e imagináveis. Fala de tudo por não ter nada a dizer. A coluna de Merval Pereira já teve importância jornalística, mas hoje assemelha-se ao semanário Veja e Época: revistas para matar o tempo em salas de espera.

Ontem foi o último dia impresso do Jornal do Brasil: pior para o jornalismo e pior para O Globo, que viu seu concorrente histórico perder o papel. A concorrência promove a busca por melhor qualidade e melhores profissionais. Sem ela, corre-se o risco de acreditar que somos insuperáveis e acabar cometendo uma espécie de suicídio profissional.

O modelo midiático-eleitoral que vemos em 2010 é semelhante ao que acontecia no final da década de 80: muito barulho, acusações, mentiras e sujeira nos bastidores. A velha mídia, perdida como cego em tiroteio, não percebe que algo mudou e continua aplicando os velhos métodos que, em outros tempos, teve sucesso.

O advento da Internet permite que factóides sejam desmontados quase em tempo real. Na década de 80, as informações contra factóides não chegavam ao grande público ou demoravam a chegar, e ainda vinham distorcidos, enviesados. Por isso eram comuns escândalos como o Proconsult ou a eleição espetaculosa de Collor para presidente, com direito a Globo Repórter transformando-o num quase ídolo-galã.

Mas algo mudou. Prova disso está na matéria publicada dia 31 de agosto no portal IG: Internet bate TV aberta como passatempo nacional. Por isso, a linha editorial das organizações Globo tenta impor a medocracia em relação à Internet. A população adquire novos hábitos e aos poucos vai percebendo que existe um mundo imenso a ser descoberto fora do televisor.

A velha mídia está na internet: tem site, twitter, blog, facebook e muito mais, porém não sabe dialogar com seus novos públicos. O motivo é simples: são mídias históricas, velhas, que nunca dialogaram. São da época em que seus monólogos influenciavam e direcionavam os rumos do país. Agora, anacrônicos e mal acostumados, não conseguem se abrir ao diálogo, não aceitam um país no qual 80% da população aprova o governo de um ex-metalúrgico que não se formou em Sorbonne.

Preferem tentar dinamitar a grande maioria da nação brasileira em vez de tentar dialogar com ela.

Com essas atitudes fundamentalistas, o velho jornalismo brasileiro simplesmente morreu, ou melhor, cometeu suícidio. Perdeu credibilidade, respeito e público. Distribuem assinaturas gratuitas na tentativa de não perder terreno, mas não compreendem que somente uma nova postura pode recuperar o prestígio perdido. O jornalismo sério e ético é essencial para a evolução de um país.

Chega do velho discurso, do velho jornalismo da velha mídia. Queremos dialogar: isso é liberdade de expressão. Um novo jornalismo também surgiu com a Internet e, se ele ainda não é o ideal, por enquanto é o melhor que temos.

Via Comunica Tudo

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Blog Chefe de Redação

Um comentário em “Velha mídia e jornalistas decadentes dinamitam a própria reputação

  • 1 de setembro de 2010 em 22:19
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    HUAHUAHUA! Adorei o nome da foto: WILLIAM BONNER… como podia ser William Waack, Boris Casoy ou Fernando Mitre et caterva.

    Mas falando sério: texto de “responsa”, hein? O bom é saber que, mesmo que esse processo de definhamento ainda demore um pouco, o fim será inexorável porque essa camarilha não muda. Não há remédio que cure a desonestidade moral e intelectual. Nem água benta, réstia de alho ou extrema-unção.

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