Veículos da velha mídia embolsaram dinheiro do ‘mensalão’

POR QUE O STF ALIVIOU O LADO DA GLOBO?

A prova do erro

Supremo terá que anular diversas condenações, onde tomou por base a estória de desvio da Câmara e da Visanet, ou terá que processar também a TV Globo e vários outros veículos da velha mídia por cumplicidade no esquema, já que embolsaram boa parte do dinheiro público sob a forma de patrocínio.

GLOBO SE ENFORCA NO ‘MENSALÃO’

O julgamento do “mensalão” (Ação Penal 470) entrou numa sinuca de bico, agora que virão os recursos da defesa. A base da condenação dos acusados é que teria havido desvio de dinheiro público da Câmara dos Deputados e da Visanet que, aliás, é uma empresa privada.

O problema é que, tanto a Câmara dos Deputados como a Visanet, têm provas de que o dinheiro foi gasto para fazer anúncios e patrocínios esportivos e culturais.

Tais provas não se limitam a recibos e notas fiscais, mas também se materializam nos próprios anúncios (que foram efetivamente veiculados), principalmente nos mais famosos jornais, revistas e TVs do Brasil.

E estão registradas para todo mundo conferir nas páginas impressas e nos videotapes.

Mas por algum fato misterioso, a maioria dos ministros do STF ignorou essas provas apresentadas pela defesa, atestadas por laudos de auditoria, e tratou tudo como se fosse dinheiro desviado.

Pois bem, agora só tem um jeito: inocentar quem foi condenado injustamente com base em informações falsas.

Do contrário, para sustentar a tese da condenação, só se admitir que a Globo, Folha, Veja, Estadão etc, teriam feito parte da quadrilha para receber o dinheiro da SMPB (do carequinha Marcos Valério) e desviá-lo, como observou o ministro Lewandovski em seu voto, no caso do contrato da Câmara.

Logo, ou o STF terá que anular diversas condenações, onde tomou por base essa estória de desvio da Câmara e da Visanet, ou terá que condenar também, por exemplo, a TV Globo por cumplicidade no esquema, com as seguintes consequências:

— Os gestores da emissora (e dos jornalões) que supostamente participaram do suposto desvio, teriam que ser condenados tanto quanto Marcos Valério;

— O Ministério Público teria que abrir ação exigindo devolução do dinheiro aos cofres públicos, que foi recebido pelas empresas de mídia;

— A TV Globo, os jornalões e revistas que receberam o dinheiro da SMPB teriam que ser consideradas empresas inidôneas por corrupção, e ficarem proibidas de fazer qualquer contrato com o governo e com estatais, além de ficarem proibidas de contrair empréstimos de bancos públicos por longos anos;

— Por ser uma concessão pública, se uma TV for considerada inidônea por corrupção, o Congresso terá que cassar sua concessão (sem nenhum arbítrio, tudo de acordo com a Constituição), pelo mesmo motivo que cassa deputados.

Aliás, do jeito que o julgamento tratou o BV (Bônus de Volume), como se fosse “propina”, no mínimo e por coerência, a emissora teria que estar arrolada no processo para provar a sua “inocência”, da mesma forma que foi exigido dos demais réus.

A revista alternativa Retrato do Brasil faz uma série de reportagens históricas, mostrando as provas irrefutáveis da defesa, que foram ignoradas.

Os jornalões, revistonas e tevês ainda mantêm silêncio sepulcral sobre o assunto, porque não têm como desmentir a reportagem. Mas não terão como fugir de verem suas empresas como as maiores beneficiárias do dinheiro, naquilo que inventaram ser o “mensalão”.

A velha mídia ter escondido esses fatos no noticiário é um dos episódios que entrará para história dos grandes vexames da imprensa golpista, ao lado de episódios como os escândalos da Proconsult e da bolinha de papel, nas eleições de 1982 e 2010.

Com Ronaldo – Livreiro

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