Vadia: o termo te assusta? E a violência contra a mulher, não?

SÁBADO TERÁ A MARCHA DAS VADIAS EM SP

Slut Walk Brazil

A Marcha das Vadias ocupará a rua Augusta no centro de São Paulo, neste sábado (25), em novo protesto com o tema Quebre o Silêncio, pelo fim da violência contra a mulher.

A concentração está marcada para o meio-dia na praça do Ciclista, na avenida Paulista. O início do trajeto, que passa pela Augusta e vai até a Praça Roosevelt, começa às 14h.

Este é o terceiro ano consecutivo que o protesto é realizado em São Paulo, mas o termo “vadia” ainda suscita diversas perguntas na página do evento no Facebook: “Homens podem ir à marcha?”; “É preciso tirar a roupa?”; “Posso levar meu filho pequeno?” são algumas das questões feitas na rede social.

Para quem tem dúvidas, as criadoras do evento na internet explicam: “todos são bem-vindos e, não, não é preciso ir com pouca roupa para participar.”

“Como lutamos pela autonomia sobre nossos corpos e escolhas, seria um contrassenso sugerir como as pessoas devem se vestir pra ir à marcha”, dizem elas, que preferem não se identificar.

As integrantes também explicam o uso irônico do termo “vadia” para protestar contra a responsabilização das mulheres que são vítimas de violência.

“Qualquer ação minimamente desviante dos padrões de comportamento impostos às mulheres as torna passíveis de serem rotuladas como ‘vadias’ –o que levaria ao direito de violentá-las. Mas o único culpado pela agressão é o agressor –não é a roupa, não é o comportamento da mulher”, dizem.

Rafinha Bastos - CQC: piada sobre estupro

Há dois anos, o fracassado “humorista” Rafinha Bastos, à época ainda integrante do programa CQC, da TV Bandeirantes, foi vaiado durante a Marcha das Vadias, na praia de Copacabana (zona sul do Rio) e em São Paulo, por causa de seu comentário no Twitter sobre estupro.

O então sócio de Danilo Gentili na casa de stand up Comedians, em São Paulo, disse que toda “mulher que reclama por ser estuprada é feia e o homem que comete o ato merece um abraço, e não cadeia”. Ele será lembrado para o resto da vida pela estupidez que postou na rede social de microblog.

ORIGEM DO NOME

Para quem não gosta do uso da palavra, as participantes respondem em cartazes feitos para a manifestação. “A palavra vadia te assusta? E a violência contra a mulher?”, diz um deles.

O nome da marcha é tradução do inglês “Slut Walk”, como foi nomeada a primeira manifestação, no Canadá, em 2011. O termo ‘slut’, ou vadia, foi utilizado numa palestra feita por um policial na universidade de Toronto, no início de 2011, em que ele sugeriu às mulheres que deixassem de se vestir como vadias para que não fossem estupradas.

As canadenses então organizaram um protesto que reuniu cerca de 3.000 pessoas e se espalhou por cidades como Los Angeles e Chicago (EUA), Buenos Aires (Argentina), Amsterdã (Holanda) e outras pelo mundo.

Segundo as brasileiras, as Marchas das Vadias são independentes. “Cada país, estado, cidade, município faz como pode e quer. É importante que seja assim, pois cada lugar tem suas especificidades. O que não significa que não haja troca, diálogo.”

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