Um professor, a solidariedade e a covardia do tucano

No último confronto entre os professores da rede estadual de ensino de São Paulo e a Polícia Militar – quando o governador José Serra mandou “baixar a porrada” nos manifestantes por melhores salários -, diz-se que um professor que havia acabado de ser agredido com tiros de balas de borracha socorreu uma policial militar sufocada pelo gás lacrimogêgio lançado pelas próprias forças de repressão da PM paulista.

Embora do outro lado da trincheira, o professor ferido teria demonstrado sua solidariedade pela oponente. Alguns negam, dizem que se trata de um policial civil a conduzir a PM no colo. Bem, pouco importa. De todo modo trata-se de uma imagem que entra para a história pelo quem tem de emblemática: enquanto o pau quebrava na capital, o governador Serra – como é do seu estilo – fugia para inaugurar maquetes no interior do estado…

4 comentários em “Um professor, a solidariedade e a covardia do tucano

  • 29 de março de 2010 em 20:45
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    Foi um baita “caô” da Policia Militar esse negocio de policial barbudo e à paisana ajudando a colega PM ferida.
    A policia do serra saiu com essa “cascata” para esvaziar o impacto da foto e do fato.
    Vai ver a nota oficial da corporação nessa 2ª feira, que vergonha. Me engana que eu gosto…

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  • 28 de março de 2010 em 19:51
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    Como professora me alegro e identifico com este professor. Nós somos pessoas do bem e da justiça e não marginais como querem alguns reacionários…. Continuemos na luta por melhores condições de trabalho e salários dignos em todo Brasil!!!!

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  • 28 de março de 2010 em 00:05
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    A Conceição Lemes, que ajuda a editar o blog do Azenha correu atrás da notícia e apurou o seguinte:

    “PM diz que ainda não sabe nome do policial que socorreu a soldado nem o que ele fazia na manifestação.

    Desde ontem a foto do manifestante carregando a policial ferida (foi como a Agência Estado a legendou), no protesto dos professores, se disseminou pelos portais e blogs, emocionando muita gente. (…) Hoje à tarde a Polícia Militar do governo do Estado de São Paulo informou que a soldado chama-se Erika Cristina Moraes de Souza Canavezi. Já o professor é, na verdade, um policial militar à paisana.

    A nota da PM diz o seguinte:

    Com relação à foto publicada na grande imprensa de uma policial sendo socorrida, a Polícia Militar esclarece que trata-se da Soldado Erika Cristina Moraes de Souza Canavezi, que foi ferida com uma paulada no rosto e que está sendo socorrida por um policial militar a paisana.

    A policial foi atendida no Hospital Albert Ainsten medicada, liberada e passa bem.

    A Polícia Militar agradece as manifestações de solidariedade.

    Enviamos então e-mail à assessoria de imprensa da PM, perguntando: 1) o nome do policial militar que socorreu a soldado Erika; 2) o que ele estava fazendo na manifestação dos professores à paisana.

    A assessoria de imprensa informou-me há pouco que “a PM ainda não sabe o nome do policial militar à paisana nem o que ele fazia na manifestação. Mas que ele foi identificado como sendo da corporação.”

    Além disso, prometeu até segunda-feira esclarecer completamente as perguntas que lhes fizemos.”

    O que não desmerece o fato em si como você bem destacou, Nivia. De qualquer modo a foto fica como ícone da PORRADARIA que o Zé Alagão mandou baixar em cima da nossa categoria. E isto é INACEITÁVEL!

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  • 27 de março de 2010 em 22:43
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    Saiu no blog do Leandro Fortes, Brasília Eu Vi;

    “Muito ainda se falará dessa foto de Clayton de Souza, da Agência Estado, por tudo que ela significa e dignifica, apesar do imenso paradoxo que encerra. A insolvência moral da política paulista gerou esse instantâneo estupendo, repleto de um simbolismo extremamente caro à natureza humana, cheio de amor e dor. Este professor que carrega o PM ferido é um quadro da arte absurda em que se transformou um governo sustentado artificialmente pela mídia e por coronéis do capital. É um mural multifacetado de significados, tudo resumido numa imagem inesquecível eternizada por um fotojornalista num momento solitário de glória. Ao desprezar o movimento grevista dos professores, ao debochar dos movimentos sociais e autorizar sua polícia a descer o cacete no corpo docente, José Serra conseguiu produzir, ao mesmo tempo, uma obra prima fotográfica, uma elegia à solidariedade humana e uma peça de campanha para Dilma Rousseff.

    Inesquecível, Serra, inesquecível.”

    http://brasiliaeuvi.wordpress.com/2010/03/26/o-mundo-bizarro-de-jose-serra/

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