Um antigo exercício humano: a arte de ignorar os pobres

Riqueza vs Pobreza

A POBREZA NA TERRA GARANTE A RIQUEZA NO ALÉM

O Chefe de Redação

Um dos mais antigos exercícios humanos, é uma espécie de processo que, na verdade, se desenrola ao longo dos séculos: a arte de ignorar os pobres.

Ricos e pobres têm vivido juntos, sempre inconfortavelmente e por vezes perigosamente, desde o princípio dos tempos. Plutarco chegou a dizer: “Um desequilíbrio entre os ricos e os pobres é a mais antiga e a mais fatal enfermidade das repúblicas”.

E os problemas que decorrem da contínua co-existência de riqueza e pobreza – e particularmente o processo pelo qual a boa fortuna justifica-se na presença do infortúnio dos outros – tem sido uma preocupação intelectual durante séculos. Continuam a ser na nossa própria época.

Tudo começa com a solução proposta na Bíblia: os pobres sofrem neste mundo mas são maravilhosamente premiados no além. A pobreza é um infortúnio temporário; se eles forem pobres e também dóceis acabarão por herdar a terra.

Isto é, sob certos aspectos, uma solução admirável. Permite que os ricos desfrutem a sua riqueza enquanto invejam a futura fortuna dos pobres no além.

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Em tempos de crise do capitalismo selvagem e desregulado, vale a leitura na íntegra da reflexão do economista e filósofo John Kenneth Galbraith (1908-2006), republicada no Resistir.

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O Chefe de Redação


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