Temperatura do mar aumenta e peixes diminuem de tamanho

Sobe a temperatura dos oceanos

ALTERAÇÕES NA CADEIA ALIMENTAR MARINHA

Do blog ECOnsciência

O rápido aumento da temperatura na superfície do mar pode provocar alterações no movimento de ascensão dos nutrientes das águas mais profundas e frias. Esse processo é responsável por abastecer grande parte das cadeias alimentares marinhas. Sua modificação afeta as características de diversos ecossistemas, diminuindo a produção de peixes que abastecem os seres humanos.

TEMPERATURA DA SUPERFÍCIE DO MAR AUMENTA 1,5°C

por Jéssica Lipinski *

As mudanças climáticas, além de provocarem os fenômenos climáticos extremos, também são responsáveis por alterações em muitos ecossistemas e biomas de nosso planeta.

Uma dessas alterações foi apresentada em um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que revela que em 24 anos, a temperatura superficial do mar aumentou cerca de 1,5ºC.

O documento, intitulado Rumo à Recuperação e Sustentabilidade dos Grandes Ecossistemas Marinhos do Mundo durante as Alterações Climáticas apresenta os dados de 64 grandes ecossistemas marinhos (GEMs).

Segundo a análise, entre 1982 e 2006, a temperatura de 61 dentre os 64 GEMs – dos quais três estão no Brasil – aumentou em até 1,5ºC. Em 18 das áreas cobertas por esses ecossistemas, a temperatura está aumentando de duas a quatro vezes mais rápido do que as tendências de aquecimento registradas historicamente.

Esse rápido aumento da temperatura superficial do mar pode levar a uma alteração no movimento de ascensão dos nutrientes das águas mais profundas e frias, chamado de ressurgência.

Esse processo é responsável por abastecer grande parte das cadeias alimentares marinhas, e sua modificação pode alterar as características de diversos ecossistemas, diminuindo inclusive a produção de peixes que abastecem os seres humanos.

Consequentemente, esse aquecimento poderá afetar a vida de milhares de milhões de pessoas que dependem do mar como fonte de alimentação, o que ocorre, sobretudo, nos países em desenvolvimento situados nas latitudes mais quentes da África, Ásia e América Latina.

O estudo indica também que, embora a quantidade de peixes aumente com a elevação das temperaturas, os animais diminuem de tamanho, o que constitui um problema para a reprodução de outras espécies e pode acarretar em um desequilíbrio ambiental.

Para combater os problemas desencadeados pelo aquecimento da superfície marítima, o relatório recomenda algumas providências, como estabelecer níveis sustentáveis de pesca nas regiões mais afetadas.

Além disso, a investigação sugere que devem ser tomadas medidas de precaução para manter a pesca marinha, restaurar e proteger os habitats costeiros, incluindo importantes sumidouros de carbono, e reduzir a carga de poluição eliminada nos mares.

“As mudanças climáticas são uma questão global muito importante e crítica. Sem ação, as alterações do clima poderiam anular décadas de progresso no desenvolvimento destes países e minar os esforços para a promoção do desenvolvimento sustentável”, alertou VeerleVandeweerd, diretora do grupo de meio ambiente e energia do PNUD.

Em alguns locais, como o Mar Amarelo, que banha o norte da China e o oeste da Coreia do Sul e do Norte, já há programas de ação estratégica (SAPs), que procuram tomar iniciativas para lidar com os problemas causados pelo aquecimento das águas marítimas superficiais.

No caso do SAP do Mar Amarelo, há, por exemplo, acordos entre os países responsáveis para reduzir a pesca em 33%, redirecionar os pescadores para outros meios de subsistência e reduzir a eliminação de lixo no mar.

* No Instituto CarbonoBrasil, com ilustração da galeria sobre aquecimento global no DesignM.ag

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