Se um artista não pode lutar contra os ‘piratas’, que se una a eles

IRON MAIDEN FATURA MAIS COM A PIRATARIA

O vocalista Bruce Dickinson, da banda inglesa de heavy metal Iron Maiden, sempre provocou arrepios na plateia com a sua gutural e sinistra gargalhada na introdução do megahit Fear of the Dark.

Mas os metaleiros também vêm deixando de cabelo em pé os defensores do copyright, os agentes da indústria cultural e os detentores de direitos autoriais, ao se alinhar com os “piratas” musicais.

Iron Maiden ganha dinheiro com pirataria

Não se fala de outra coisa porque, ao invés de deitar na fama e engordar com royalties, os coroas mostraram que ainda estão em forma e dispostos a trabalhar duro nesses tempos de internet.

O compartilhamento ilegal de arquivos (com copyright), que vulgarmente leva o nome de pirataria, pode ser um problema para músicos, bandas, produtores, gravadoras e lojas de discos.

Mas ela também tem seu lado positivo, como ensina a banda Iron Maiden, que conseguiu transformar o que poderia ser uma encrenca num negócio lucrativo – ou um limão numa limonada.

Para isso, eles contaram com a ajuda da Musicmetric, empresa especializada em analisar os dados da indústria musical a partir das redes sociais e do tráfego de dados em redes de BitTorrent.

“Ter um panorama preciso em tempo real sobre os principais dados ajuda a informar as pessoas que precisam tomar decisões. Os artistas podem dizer ‘estamos sendo pirateados aqui, vamos fazer algo quanto a isso’ ou ‘já que somos populares, vamos fazer shows’”, afirma Gregory Mead, diretor da empresa baseada em Londres.

No caso do Iron Maiden, a banda notou que havia um tráfego maior de dados na América do Sul.

De acordo com o site Cite World, países como Brasil, Venezuela, México, Colombia e Chile estão entre os dez lugares com o maior número de seguidores da banda no Twitter.

Já quanto aos downloads, o Brasil ocupa um dos primeiros lugares do ranking.

Mais shows da banda de rock

E assim, ao invés de acionar advogados para trombar com os fãs, os músicos escolheram a segunda opção sugerida por Mead: mandar bala nas apresentações ao vivo.

Isso explica, em parte, porque a banda concentrou boa parte da sua turnê na América do Sul nos últimos anos. O outro motivo é a crise econômica na Europa e EUA.

O Cite World ressalta que apenas no show realizado em São Paulo em 2008 a banda arrecadou mais de 2,5 milhões de dólares. E depois disso ainda teve Rock in Rio.

Além de ser um negócio lucrativo, o posicionamento da banda com relação à pirataria trouxe mais resultados positivos. Segundo o Musicmetric, no período entre maio de 2011 e maio de 2012, a banda atraiu mais de 3,1 milhões de fãs nas redes sociais.

Ainda, depois da turnê inglesa (que aconteceu entre junho de 2012 e outubro de 2013), o número de fãs online da banda aumentou para 5 milhões, com um destaque considerável para a América do Sul.

Importante ressaltar que o termo “pirataria” empregado na notícia, refere-se ao compartilhamento ilegal de arquivos em redes como os populares “torrents”.

A banda conseguiu enxergar longe o que muitos até já admitem, mas não cedem para não perder seus “direitos”, mesmo que se ferrem com a inflexível atitude patrimonialista.

Com Ubuntued Forum

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