Reprimidos pelos neocons, trabalhadores da Europa pedem socorro ao Brasil

Trabalhadores Unidos

SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL

O Chefe de Redação

O mundo desenvolvido naufraga na crise econômica e se agarra ao Brasil — nova tábua de salvação global. Obama facilita a concessão de vistos para a entrada nos EUA e governos da Europa incentivam o turismo internacional, todos de olho na bonança dos brasileiros. Agora, até as ex-poderosas centrais sindicais europeias pedem socorro à CUT.

PEDIDOS DE AJUDA PARA ENFRENTAR OS NEOCONSERVADORES

Por Raimundo Oliveira *

A gigantesca crise econômica e financeira mundial iniciada em 2008 provocou uma reviravolta até há pouco inimaginável e uma situação inusitada para a CUT.

Criada em 1983, na fase final da ditadura, e em meio às crises econômicas que assolaram o Brasil e os países do então chamado terceiro mundo, a Central Única dos Trabalhadores contou com o apoio de sindicatos da Europa em seu difícil começo.

Agora, consolidada como a maior central sindical do Brasil e da América Latina e a quinta maior do mundo, a entidade brasileira foi convocada para ajudar as suas parceiras europeias.

Do outro lado do Atlântico, o sindicalismo atravessa uma grave ameaça de retrocesso em meio a ataques das classes empresariais e de governos neoconservadores.

É uma consequências das brutais fórmulas de “austeridade” forjadas para cortar salários dos trabalhadores com a justificativa de reverter o quadro de déficit.

Logo da CUT

Por conta da crise econômica que castiga a maior parte dos países europeus, os índices de trabalhadores sindicalizados naquele continente baixaram para minguados 7% em algumas das nações mais afetadas.

É o caso de Espanha e Grécia, dois dos países que sofrem com as mais altas taxas de desemprego, superando a casa de 50% entre os jovens. Portugal segue pelo mesmo caminho.

Exceto pela situação do movimento sindical na Alemanha, o quadro geral para os trabalhadores europeus tem se degradado tanto nos últimos anos a ponto de a classe empresarial conseguir brecar a realização de um congresso da Organização Internacional do Trabalho (OIT), órgão das Nações Unidas (ONU).

O empresários se mobilizaram por não concordar com uma lista que relacionava os países europeus que desrespeitam um dos direitos mais básicos do trabalhador: a greve.

“Estamos vivendo uma situação bastante atípica no mundo atualmente em relação ao trabalho e aos trabalhadores”, afirma o secretário de Relações Internacionais da CUT, João Antonio Felício.

“A Europa, que sempre teve uma classe trabalhadora forte, sindicatos e centrais fortes que ajudaram o início da CUT, agora vive uma situação de ataque profundo. O continente tem cerca de 85% de trabalhadores não sindicalizados que, nos últimos anos, não têm conseguido sequer repor as perdas salarias com a inflação”, afirma.

No auge do neoliberalismo comandado pela dama de ferro da Inglaterra, a então primeira-ministra Margaret Tchatcher (1979-1990), e Ronald Reagan, presidente dos EUA entre 1981 e 1989, mesmo com avanços das forças liberais, politicas e econômicas sobre os trabalhadores europeus, os índices de sindicalização e os ataques contra as conquistas históricas não avançaram.

Global Solidarity

“Os ataques contra os trabalhadores têm partido não só por parte das empresários, mas também de governos. É a primeira vez que conseguem impedir um congresso da OIT por não concordar com uma lista que nomeava os países que desrespeitam o direito de greve”, aponta Felício.

No Brasil e na maior parte dos países da América Latina, durante o auge do neoliberalismo, os países tentavam se recuperar de duas crises mundiais causadas por choques de escassez de petróleo.

Simultaneamente, muitos recomeçavam frágeis democracias depois de décadas de ditadura e os conflitos entre trabalhadores eram tensos. Nos anos 1990, os ataques contra os trabalhadores no Brasil também foram intensos durante o governo FHC.

Agora, porém, a situação se inverteu. Na próxima quarta-feira (14) a CUT e as outras centrais sindicais vão fazer manifestações em frente a embaixadas, consulados e representações diplomáticas da Espanha, Portugal, Grécia e Itália contra os ataques que os companheiros europeus estão enfrentando.

Em demonstração de solidariedade os atos vão acompanhar a greve geral organizada naqueles países.

* Na Rede Brasil Atual

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