Regeneração da madeira quebrada como se fosse rabo de lagartixa

NOVO GEL REPLICA O PROCESSO BIOLÓGICO

Gel regenerador

Quando uma cadeira ou banco quebram uma perna ou dá cupim, precisam ser levados ao marceneiro fazer o conserto ou a substituição da peça, certo?

Mas imagine que a madeira ou outro material seja programado para se regenerar, recompondo suas partes quebradas ou “cicatrizando-se” por si mesmas.

Essas possibilidades começaram a se tornar viáveis graças ao trabalho da equipe da Dra. Anna Balazs, da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos.

A cientista já havia feito um gel pulsante que ouve, fala e anda e também colocado um outro tipo de gel para se movimentar, apenas impulsionado pela luz.

Agora sua equipe desenvolveu um novo gel polimérico que permite que materiais complexos se regenerem como os rabos de lagartixas.

Embora algumas substâncias possam consertar pequenos defeitos, ainda não havia sido testado um sistema capaz de regenerar partes cortadas de um material.

Isso terá um tremendo impacto sobre a sustentabilidade, estendendo a vida útil de um item ao lhe dar a capacidade de se regenerar quando danificado.

“Este é um dos cálices sagrados da ciência dos materiais,” afirmou Balazs.

A inspiração para a criação do gel autorregenerativo veio dos processos biológicos que ocorrem em algumas espécies de animais, que regeneram membros decepados.

Gel regenerador

O material é um híbrido composto de nanobastões incorporados em um polímero, que é circundado por uma solução contendo monômeros e agentes de reticulação.

Então as moléculas ligam uma cadeia de polímero a outra a fim de replicar o fenômeno biológico, que os cientistas chamam de “cascateamento dinâmico”.

Quando uma parte do gel é cortada, os nanobastões nas proximidades do corte agem como sensores e migram para a nova interface.

Elas ficam lá por força de cadeias funcionalizadas colocadas em uma de suas extremidades – essas cadeias são chamadas de “saias”.

A reunião de todos os componentes inicia uma reação de polimerização com os monômeros e os agentes de reticulação.

Os pesquisadores planejam agora otimizar e acelerar o processo, fortalecendo ainda as ligações entre a parte nova e a parte antiga do gel.

Para isso, eles já encontraram outra inspiração na natureza – nas sequoias gigantes, espécie vegetal com um sistema radicular superficial.

Quando as árvores crescem perto umas das outras, o sistema radicular se entrelaça para dar apoio e contribuir para o seu enorme crescimento.

“Da mesma forma, as ‘saias’ nos nanobastões podem fornecer uma força adicional para o material regenerado,” disse Balazs.

Com Inovação Tecnológica

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