Protestos de rua revelam a falência dos políticos e da mídia

SECOM DEIXA DILMA REFÉM DA REDE GLOBO

Manipulação da Globo

Hoje vemos os patrocinadores dos protestos pedindo o fim das manifestações populares. Por que? Porque a esquerda se uniu para a pauta e os meios de comunicação entraram para dar uma colherada, sobretudo a Globo. Nem abafando o áudio no jogo do Brasil, no Mineirão, conseguiram esconder a torcida mandando a organização dos irmãos Marinho ir para “aquele lugar”.

OS PROTESTOS E A FALÊNCIA DAS INSTITUIÇÕES

Por Mariana Silveira *

Direto ao ponto, quando se analisa os protestos de rua, a primeira coisa que se nota é: a falência das instituições. No mundo pós-moderno, ela é colocada em xeque.

As instituições no Brasil, foram montadas para agradar determinada classe social, “Os Donos do Poder”, como chamou Faoro.

Nessa falência, predomina a imposição, mesmo tendo a esquerda no poder, da imprensa, do STF, do PGR.

Ou seja, não são apenas três poderes, mas cinco: Executivo, Legislativo, Judiciário, Globo/imprensa e Econômico/Bolsa/banqueiros.

Diante das desigualdades sociais, temos todos os tipos de reivindicações e grupos hostis, pagos ou não, rejeitando qualquer tipo de instituição.

Na contramão, tem-se as redes sociais, o motim de jovens que querem mudar rápido, que endossam o discurso da corrupção.

Não é que ela não exista, mas se conhecessem mais profundamente a História do país, perceberiam que a corrupção existe desde quando Cabral colocou os pés na Bahia.

Na dúvida, vide Triste Bahia, de Gregório ou, então, os relatos de Frei Vicente do Salvador sobre o que acontecia por aqui.

SALVADORES DA PÁTRIA

Mas o fato é que, em tempos de crise, curiosamente, a direita que sempre mandou invoca o discurso e ganha as ruas, porque sabemos que o câncer existe.

Mas é um discurso manipulado, como sabemos, mas não a maioria que está aí, que não tem a consciência política ainda amadurecida.

Então, desde o golpe da República, quando as oligarquias pegaram Floriano de pijama para destituir Pedro II, temos este vai-e-vem do referido discurso na mudança do regime – ou seja, da monarquia para a república.

Nessas situações de golpes e contra-golpes, ao longo da República, sempre apareceram salvadores da pátria e o discurso foi sempre o mesmo.

Jânio Quadros, o homem da vassoura para combater à corrupção; Fernando Collor, o caçador de marajás para combater a corrupção; Joaquim Barbosa, o batman para combater os mensaleiros.

Ao menos foi o sinal que imediatamente o Datafolha deu com uma “suposta pesquisa” com os manifestantes de São Paulo. Foi o suficiente para os analistas políticos da velha mídia lançar JB.

Mas a luz no fim túnel mostrou que a mídia também, não é bem vinda, vide a maneira que a Globo apareceu em cena: microfones com a logo escondida, repórteres do alto, tomadas de helicópteros.

Mas a Globo é a Globo, nos estúdios pautava as reivindicações dos manifestantes, a partir dos cinco pontos dos supostos “anonymous”. Por exemplo, conseguiu emplacar a PEC 37.

STF TAMBÉM PRECISA DE UM ‘SACODE’

Não demorou muito, hoje vemos todos pedindo o fim das manifestações. Por que? Porque a esquerda se uniu para a pauta e os meios de comunicação entraram para dar uma colherada, sobretudo a Globo.

Nem abafando o áudio no jogo do Brasil, no Mineirão, conseguiram esconder a torcida mandando a organização dos irmãos Marinho ir para “aquele lugar”.

Ora, sabemos que democracia prescinde de instituições e transparência – não apenas de político, mas de empresas, empresários e justiça funcionando.

O povo foi às ruas, mas esqueceu de exigir tambémir a reforma no Poder Judiciário, que a maioria sabe que é encastelado no corporativismo, casuísmo e interesses próprios em jogo. Esse, não apenas os outros quatro poderes, também precisa de um “sacode”.

No mundo virtual as notícias são instantâneas, as pessoas lidam o tempo inteiro com imagens na tela e emitem opinião.

A insatisfação e o ódio, que são trabalhados todos os dias por parte da imprensa, chegam mais rápido em quem está conectado. Mas essa insatisfação não se manifesta em todos os brasileiros.

Por outro lado, é visível a falta de compreensão do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional, do poder econômico e da própria mídia manipuladora em lidar com tudo isto.

A CULPA DA SECOM NO ROLO

Uma decisão do STF agora é discutida, é válida como o direito positivo, mas não é mais uma coisa incontestável. Nessa realidade em que as instituições se encontram, as verdades absolutas vindas do alto não são mais acolhidas por quem está lá ou cá em baixo.

Quem acompanha os blogs progressistas sabe que não é de hoje que se fala da ausência de diálogo do Planalto com os movimentos sociais, com os blogueiros e com a internet em geral para contrapor a grande mídia e o próprio poder econômico.

Mas, quem se encontra lá na Secom, infelizmente, ainda continua orientando a presidenta Dilma para falar com o povo exclusivamente por meio dos grandes meios de comunicação.

Todo mundo vê o que acontece nas redes sociais, mas quem está lá em cima continua assistindo ao Jornal Nacional, ao Jornal das Dez, lendo Veja, Folha, Globo, Estadão, se deixando pautar por estes carcomidos comunicadores do caos e da instabilidade.

O resultado está aí, não deu certo. Como se diz, não foi por falta de aviso dos blogs e redes sociais, pois quem avisa amigo é.

E o que esperar desta nova realidade? O tempo das instituições não é o tempo das pessoas. Açodamento e a pressa não são bons para ninguém.

O que se pede, é que a própria sociedade brasileira se transforme. Ou alguém pensa que os políticos que elegemos vieram de Marte?

MÍDIA INSUFLANDO A TURBA

Saíram às ruas pedindo mudanças contra a corrupção, ouvindo pessoas encapuzadas, infratores de privacidade, mas estavam lá seguindo seus líderes, mascarados.

Simultaneamente, os grandes portais e sites específicos nas redes sociais alienavam – controlando o gado, disseminando o ódio, o preconceito.

O que se viu é que um povo influenciável, altamente midiático, mesmo em meio a justíssimas reivindicações, pode fazer e ir além disto, quando são insuflados a fazer algo contra.

Houve vídeo divulgado de jornalista incitando a turba. Ninguém é contra ir aos centros do poder, mas todos são veementemente contra roubos, saques e tentativa de golpe de Estado. Se querem tirar a presidente ou quem quer que seja, tirem pelo voto.

O bom de tudo é que, não foi por falta de aviso, mas muito de nós já falamos isto há muito tempo, que este pragmatismo político não funciona.

Isto é fato: não há aliança entre a Globo e a esquerda. Não há aliança entre STF e esquerda. Não há aliança entre poder econômico e esquerda.

Na tentativa de se aproximar da classe média, abandonou-se os movimentos sociais, os blogs, enfim, aqueles que sempre deram sustentação.

TENTATIVAS DE ‘MELAR’ O PLEBISCITO

A questão, como disse PC Siqueira, está bem definida entre direita e esquerda. Daí a necessidade de a direita gritar “sem partido/PT!”

Resta saber se o PT acordou. Acordou? Não, não acordou, além da notinha de Mercadante, vimos o Bernardo ser escalado com pleno povo nas ruas, para dizer não à esquerda. Vimos nova omissão da Secretaria de Comunicação.

Então, se não mudar, Dilma estará saindo por onde a direita quer que ela saía, pela porta dos fundos do Planalto. Se não todos, mas a maioria sabe disto.

E o próximo passo será a tentativa incessante dos mesmos setores que aí estão em melar o plebiscito. Todos sabem do Poder Constituinte Derivado/Revisor, mas dar esta condição ao povo é, para os oligarcas, inadmissível.

Da maneira como tem sido divulgado, vão fazer a presidenta recuar e ela ficará, mais uma vez, dobrada diante das vontades dos donos do poder/direita.

E nós teremos de engolir as desculpas esfarrapadas dos escalados para justificar suas mudanças de opinião.

* No Advivo

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