Português foge da crise emigrando para outros países

COMO UM BRASILEIRO NA ‘DÉCADA PERDIDA’

Portugueses em busca de oportunidades

Os anos 1990 entraram tristemente para a história do Brasil como a “década perdida”. Este período foi caracterizado pelo que ficou conhecido como a “privataria tucana“, com o assalto ao patrimônio público promovido pelo governo neoliberal de plantão.

Simultaneamente, promoveu-se violento processo de concentração de renda, desindustrialização do país, desemprego em massa que resultaram na mais completa falta de esperança. À época, nunca tantos brasileiros foram buscar melhores condições de vida no exterior.

Quem não se lembra do êxodo de profissionais liberais, especialmente dentistas e arquitetos, em direção ao novo eldorado representado por Portugal, a partir de sua adesão à União Europeia?

Ou dos mais humildes, que arriscavam suas vidas nas garras dos coiotes para entrar clandestinamente nos EUA via rio Grande, na fronteira mexicana? Hoje, praticamente não se ouve mais falar nisso.

LÁ COMO CÁ, ORA POIS

O que está acontecendo agora em Portugal, portanto, se parece muito com um velho filme de pesadelo conhecido por nós de cor. Ou melhor, uma novela enjoativa que durou milhares de capítulos.

Igualmente, a atual crise econômica que afeta os países do sul da Europa começa a incentivar fortemente a emigração portuguesa.

Os principais destinos são os países do norte da Europa menos afetados pela crise, como Alemanha, Inglaterra e Luxemburgo. Há também correntes migratórias para Angola, Brasil e Moçambique; países falantes do idioma português.

A diáspora portuguesa não ocorre pela primeira vez na história. Portugal, sendo um pequeno país, ex-império colonial e tendo uma população reconhecida pela capacidade de adaptação cultural, há muitos anos é tido como um país de emigrantes – inclusive para o Brasil.

Conforme estatística aceita por especialistas, há cerca de cinco milhões de lusitanos e seus descendentes diretos vivendo mundo afora. Desses, cerca de 2,3 milhões são nascidos em Portugal – número que se aproxima de um quarto da população residente no país (10,2 milhões).

De acordo com a socióloga Filipa Pinho, coordenadora da equipe técnica do Observatório da Emigração do Instituto Universitário de Lisboa (Iscte-IUL), o que diferencia os processos de emigração no século 21 é que “há mais liberdade de circulação, intercomunicação e aproximação de fronteiras”.

JOVENS SE MANDANDO PRIMEIRO

A internet favorece que as pessoas que queiram emigrar acionem redes locais de apoio e solidariedade no país de destino, além de disponibilizar informações instantâneas e a chance de pesquisar emprego e oportunidades de negócio.

A principal razão para que muitos planejem a vida fora de Portugal é a falta de perspectiva em seu país e o desejo que aflora em condições de desesperança de viver em lugares de outra cultura.

A emigração de pessoas jovens poderá ter efeito grave no futuro de Portugal, cuja população envelhece acentuadamente pondo em risco o sistema de seguridade social.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatísticas, órgão português equivalente ao IBGE, na última década a população do país só cresceu em 200 mil habitantes – especialmente imigrantes, dos quais 77 mil eram brasileiros.

O número de filhos por mulher portuguesa caiu de 1,56 em 1990, para 1,36 em 2010. No Brasil a taxa era de 1,9 filho por mulher, em 2010.

Por ora, a emigração tem garantido mais divisas ao país. Nos últimos anos, cresceu o saldo positivo das transações (envio e recebimento de euros) com Alemanha, Inglaterra e Luxemburgo; assim como com Angola.

RECONHECIMENTO DOS DIPLOMAS

No caso do Brasil, os dados coletados pelo Observatório da Emigração ainda registram fluxo monetário favorável ao Brasil por causa da colônia de 111 mil habitantes residentes em Portugal.

De 2008 para 2011, a entrada oficial de portugueses no Brasil passou de 482 pessoas ao ano, para 1.564. O registro consular português contabiliza que a população lusitana entre os brasileiros cresceu de 384 mil para mais de 425 mil.

O registro, no entanto, não é obrigatório e o dado pode incluir descendentes nascidos no Brasil e pessoas que se registraram muito tempo depois de emigrarem.

Entre os portugueses, há quem ache vantajosa a emigração para o Brasil, mas há quem reclame do mercado de trabalho ser de difícil acesso, como é o caso dos engenheiros que não conseguem registro para trabalhar.

Para contornar essa situação, na última quinta-feira (21), a Associação Nacional de Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (Crup) assinaram, em Brasília, um memorando de entendimento para agilizar os processos de reconhecimento, revalidação e equivalência de graus e títulos acadêmicos.

Com Agência Brasil

Um comentário em “Português foge da crise emigrando para outros países

  • 23 de março de 2013 em 15:41
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    MULHER PORTUGUESA ASSUME SUSTENTO DA FAMÍLIA

    O colossal impacto da crise econômica em Portugal no emprego masculino se traduziu em drástico aumento de mulheres assumindo o papel central de sustento da família, mas isto não significa um avanço para a igualdade.

    É que hoje há mais desemprego masculino do que feminino, porque a crise afetou especialmente o setor da construção civil. Havendo menor atividade econômica nesta área, que tradicionalmente emprega homens, subiu muito a taxa de desemprego masculino, enquanto em outros setores ocupados por mulheres o desemprego cresceu em menor medida.

    Exatamente a mesma coisa que aconteceu aqui no Brasil, a partir da época que você citou no post.

    Completo no Envolverde:
    http://envolverde.com.br/noticias/portuguesas-assumem-sustento-da-familia-em-tempo-de-crise/

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