Por que a velha mídia é contra a queda da taxa Selic de juros?


Charge - Urubólogos do PiG

CUIDADO, OS ABUTRES QUEREM DEVORAR A SUA CONSCIÊNCIA

O Chefe de Redação

A guinada na taxa básica de juros, que caiu pela primeira vez desde 2009, foi comemorada por empresários e trabalhadores, que acreditam numa impulsão da economia brasileira num mundo esfrangalhado pela crise. Por outro lado, economistas e opositores dizem que a mudança foi por pressão do governo e o BC teria aberto mão de sua autonomia. Ou seja, de um lado o Brasil que produz; do outro, os especuladores que são as fontes da velha mídia e o pessoal do quanto pior melhor.

Para entender como se dá este processo descaradamente contrário aos interesses da maioria, nada melhor que ler com atenção o que escreve Luis Nassif, de forma bastante didática para facilitar a compreensão da safadeza:

O BANCO CENTRAL E A CONFRARIA DOS “JURISTAS”

A decisão do Banco Central de reduzir a taxa Selic em meio ponto desmascarou pela primeira vez um dos mais deletérios e antigos personagens da vida econômica brasileira: a confraria dos “juristas” [especialistas em juros], um grupo que inclui de algumas consultorias econômicas, economistas ligados a bancos, aliados a alguns comentaristas econômicos formadores de opinião na velha mídia, que nos últimos anos conseguiu se apropriar completamente da política monetária do BC.

Não se trata do mercado como um todo, mas de um grupo que sempre jogou com informações privilegiadas, ganhando em cima dos demais segmentos do mercado.

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Vamos por partes.

O mercado futuro de qualquer ativo embute uma aposta e dois apostadores. Digamos que o preço futuro esteja em 100. O apostador que acha que o preço vai para 105 “compra” o contrato a 100; o que acha que o preço vai cair, “vende” o contrato a 100. Se o preço for a 105, o que “comprou” a 100 ganha a diferença de 5; o que vendeu a 100, perde a diferença. Portanto, há sempre um lado que ganha e outro que perde.

O ponto central desse jogo, a ser garantido pelas autoridades reguladoras (BC), é a isonomia das informações. Ou seja, todos os agentes têm que ter acesso às mesmas informações. A desobediência a essa regra caracteriza o “insider information”, a informação privilegiada, tipificada como crime financeiro, obrigando à interferência do Ministério Público e da Polícia Federal.

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Nos últimos dias houve uma grita infernal da confraria dos “juristas”, sustentando que o BC tinha perdido a credibilidade, que não conseguiria mais articular as expectativas do mercado.

Como assim? Antes da reunião do Copom houve queda nas taxas futuras de juros, significando que o mercado, por maioria, havia assimilado os sinais do BC e apostado na queda de juros. Quem não apostou foi um segmento específico que poderia ter ganhado milhões caso o BC tivesse mantido a taxa Selic. E ganhado milhões em cima dos que achavam que a taxa ia cair.

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Por que essa minoria barulhenta achava que os juros permaneceriam imóveis, se a maioria do mercado, analisando os sinais do BC, apostava na queda? Porque essa minoria julgava ter informações que a maioria do mercado não tinha. Na verdade, sempre trabalhou com informações privilegiadas do BC.

No período de Henrique Meirelles, havia reuniões secretas de diretores do BC com economistas de mercado. Não eram reuniões abertas a todo o mercado. Participavam dela o mesmo conjunto de economistas que têm mais vocalização na velha mídia, as fontes preferenciais, justamente aqueles que estão berrando agora contra a decisão do BC.

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Com a decisão do Copom desta semana, desnudou-se o jogo. Há o mercado em si e, nele, a confraria dos “juristas”. E os ganhos desse pessoal se dava em cima dos demais agentes do mercado, baseados em informações privilegiadas que recebiam do BC.

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Portanto, a partir de agora não se fale mais do “mercado” genericamente, nem de “porta-vozes”. Todo esse coro de lamentações ouvido nos últimos dias ajuda a mapear os elos dessa confraria de “juristas”.

Seria bom que autoridades em geral começassem a olhar com mais presteza esse jogo.

Visto no blog do Luis Nassif

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O Chefe de Redação


2 comentários em “Por que a velha mídia é contra a queda da taxa Selic de juros?

  • 9 de setembro de 2011 em 00:44
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    Hehehe… muito boa a charge, PM.
    Vlw pela dica no Nassif. Abs.

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  • 4 de setembro de 2011 em 12:53
    Permalink

    O problema é que esse tipo de ataque é sempre muito malcheiroso…

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