Pobreza intelectual e má fé no discurso homofóbico de Jair Bolsonaro

Jair Bolsonaro - Homossexuais

REPERTÓRIO CULTURAL ESTREITO

A Cachaça da Happy Hour

O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), o mais notório e falastrão representante da extrema-direita no Congresso, iniciou panfletagem de material antigay em escolas e residências do Rio de Janeiro.

Bolsonaro afirma que meninos e meninas seriam emboscados por “homossexuais fundamentalistas” com o Plano Nacional de Promoção a Cidadania e Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais e ao kit anti-Homofobia distribuído em escolas públicas pelo governo federal.

Segundo o político panfletário, o MEC incentivaria o homossexualismo entre os jovens. Foram impressas 50 mil cópias do material.

A revista CartaCapital repercutiu o assunto com o ex-BBB e atual deputado federal Jean Wyllys (PSOL), da Frente LGBT da Câmara, para quem a defasagem educacional do país faz com que adesão a esse tipo de discurso cresça.

CartaCapital: Como você avalia a iniciativa do deputado Bolsonaro?

Jean Wyllys: Ele já distribuiu esse tipo panfleto no Congresso há algum tempo. Pra mim é muito discutir com o Bolsonaro. O seu discurso é de uma pobreza intelectual tão grande e possui um repertório cultural tão estreito que eu me sinto perdendo tempo. No entanto, fala fundo para muita gente. Muitas pessoas que carecem de educação de qualidade, com formação defasada podem responder positivamente ao tipo de discurso dele. A prova são os comentários que acompanham as matérias comentadas na internet. Por isso não posso ignorar.

É claro que se trata de má fé e calúnia. Ma fé em relação ao Plano Nacional de Promoção de Direitos LGBT e do Projeto Escola Sem Homofobia.

As pessoas desconhecem esse projeto, desconhecem o material, por essa falta de esclarecimento, a população vai aderindo ao que as pessoas vão falando e a esse tipo de discurso. O projeto tem o intuito de reduzir a prática do bulling homofóbico nas escolas, a violência contra crianças e adolescentes afeminados. Violência física ou moral a adolescentes já assumidos ou crianças afeminadas era tão grande que muitos abandoram e abandonam a escola.

O bulling homofóbico está ligado a depressão, abandono, suicídio. E resolveu se criar um material que erradicasse esse bulling. É formado por cartilhas, boletins e vídeos. A televisão tem um peso muito grande na maneira como as pessoas constroem suas visão de mundo. É um projeto que a família brasileira deve abraçar. Vai assegurar a vida e dignidade da vida dessas famílias.

O discurso de Bolsonaro tripudia famílias que tem filhos homossexuais ou filhos que não correspondem aos papeis de gênero instituídos. A psicologia fala sobre isso.

É obvio que esse cara sabe que esse projeto é um projeto bacana. Ele está fazendo um uso eleitoreiro desses conceitos. Ele sabe que o projeto é bacana, mas ele esta usando da ignorância das pessoas. Deliberadamente, ele distorce o projeto. Nós já prestamos apoio formal a essa política pública.

O mais importante é as pessoas de casa saberem que o material não vai fazer proselitismo, mas vai assegurar uma escola democrática. E eu estou dizendo isso inclusive porque sofri com bulling homofóbico na adolescência por conta de meu comportamento não se enquadrar nos papeis de gênero impostos. Eu quero o Estatuto da Criança e Adolescente se posicione em relação a atitude desse deputados.

Papeis de gênero não são criados pela natureza, é a cultura que tece. As pessoas não podem ser violentadas e devem ter liberdade para exercer sua identidade de gênero.

Continua aqui, em matéria de Clara Roman. Com ilustração do chargista Eder.

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Blog da Nívia de Oliveira Castro

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