Paraguai dá exemplo de reciclagem e lixo vira instrumentos musicais


Viola de latas de goiabada reciclada

OS SONS DA TERRA

Do blog ECOnsciência

Para muitos, latas de doce enferrujadas, potes antigos, panelas velhas de alumínio e outros artigos de uso doméstico são lixo. Mas para alguns jovens catadores de Cateura, o principal aterro sanitário nos arredores de Assunção, capital do Paraguai, eles não são resíduos. São um tesouro musical!

PARA UNS, LIXO. PARA OUTROS… MÚSICA

por Sonia Herrera *

Ao longo da história, a arte musical geralmente tem sido associada ao sentido da estética e a práticas que valorizam a individualidade, principalmente durante o transcorrer do século vinte.

Nos últimos anos, organizações sociais, fundações, e grupos de educadores tentam ultrapassar essa barreira, indo além da chamada “a arte pela arte”, utilizando a criatividade e sensibilidade artísticas para a inserção social das pessoas.

A iniciativa empreendida pela associação “Sonidos de la Tierra” é um exemplo importante, envolvendo crianças que coletam materiais no lixão de Cateura, no Paraguai, chamados de gancheros.

Desde o ano de 2002, Luis Szarán, o diretor da Orquestra Sinfônica de Assunção, na capital paraguaia, começou o projeto “Musica de Basura”, com o objetivo de oferecer iniciação e treinamento musical a crianças e jovens, que geralmente não tinham acesso ao estudo ou a atividades culturais, devido à labuta no lixão.

O projeto surgiu de forma simples. Um dia, o Nicolás Orué, o “Dom Kolá”, um coletor cinquentenário de materiais de Cateura, apareceu com um violão feito de uma panela reaproveitada.

No início, como costuma acontecer nessas situações, a ideia não foi levada muito a sério. Mas depois dos primeiros acordes as pessoas se deram conta de que era possível transformar produtos inutilizados em instrumentos musicais.

Reciclagem de lixo como instrumento musical

Aos poucos, violões, violinos, violoncelos e muitos outros equipamentos foram dando nova forma a panelas, latas e outros materiais descartados pelo consumo humano.

Hoje em dia, “Dom Kolá” dedica-se a produzir equipamentos tanto convencionais quanto derivados de reciclados, coletados diretamente dos lixões. Eles são utilizados por crianças e jovens em oficinas de formação musical e na orquestra formada pelo projeto “Melodías de la Basura”.

Os cursos são realizados pelo professor Fabio Cháves. Além de aprender a tocar, as crianças também fabricam os instrumentos.

Hoje são mais de 3.000 crianças atendidas pelo programa, de mais de 72 localidades paraguaias. Destas, 65 pequenos músicos são originários do lixão de Cateura, onde surgiu o projeto.

Eles têm participado de vários concertos ao redor do mundo, na América Latina, Europa e Estados Unidas, conquistando as pessoas com a música clássica.

Outro resultado desta ação é a orquestra de harpas, que conta com 500 pequenos músicos, uma das atrações dos festejos dos bicentenários da Argentina, Chile e no Paraguai.

O projeto é mantido através de doações de empresas, instituições e pessoas físicas, que remetem os recursos para a fundação “Sonidos de la Tierra”, mantenedora de todo o trabalho.

“Musica de Basura” [lixo, em espanhol] é mais uma bela demonstração de que a arte pode ajudar a transformar as pessoas e a comunidade.

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* Sonia Herrero é paraguaia, estudante de Letras na Unila, em Foz do Iguaçu, Paraná.

Via Núcleo Cultural Guarani Paraguay Teete, com mais informações no HispaSonic e Inforsur Hoy

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