artesanato

objetos decoração acessórios bijuterias jóias cofres brindes

xadrez

tabuleiros peças criatividade jogos raciocínio inteligência

veículos

customização jeeps clássicos volantes manoplas reformas

inovação

criação design tecnologia matrizes protótipos projetos

webdesign

sites construção otimização conteúdos consultoria blogs

Início » artigos, blog a cachaça da happy hour, comportamento, mídia & opinião

O poder de destruição mental da Globo e demais canais de TV

Enviado por em 16 de novembro de 2011 – 15:31Comente

Pedro Bial e os imbecis do BBB

A VIDA DOENTE, MALIGNA E CORRUPTA

A Cachaça da Happy Hour

“Um idiota doente é a mesma coisa que um idiota com saúde. Talvez o idiota com saúde seja mais nocivo, pois ele é a expressão da idiotia em si, no seu esplendor equino e engajado. Com certeza, mais devastador porque ele tem o poder de arregimentar uma legião de idiotas que jogam mãozinhas pro ar, lotam estádios de futebol, arenas de vale-tudo e igrejas caça-níqueis. Ele é pior que a doença”. O desabafo sombrio é de Marcelo Mirisola (*).

DOR, DOENÇA E LOUCURA: ABRAM AS ASAS SOBRE NÓS

“Tudo depende de quem está doente, de quem está louco, epilético, paralítico – uma pessoa medianamente tola, em cujo caso a doença prescinde do aspecto intelectual ou cultural, ou um Nietzsche, um Dostoiévski (…)” — O Escritor e sua Missão, de Thomas Mann.

Um idiota doente é a mesma coisa que um idiota com saúde. Talvez o idiota com saúde seja mais nocivo, pois ele é a expressão da idiotia em si, no seu esplendor equino e engajado. Com certeza, mais devastador porque ele tem o poder de arregimentar uma legião de idiotas que jogam mãozinhas pro ar, lotam estádios de futebol, arenas de vale-tudo e igrejas caça-níqueis. Ele é pior que a doença.

Idiotas saudáveis ocupam espaço. O que a doença faz, muito lenta e modestamente, diga-se de passagem… é corrigi-los, tirando-os de circulação. O problema é que para cada Marrone fora de combate aparecem dezenas de Luans Santana e Restarts.

A propósito, há 30 anos Faustão promove carnificinas na Rede Globo, todo domingo. Perto do poder de destruição dessa gente que faz merchandising de financeira, e produz gerações de cretinos, os ditadores árabes e africanos não têm relevância nem pra vender mariola na Cinelândia.

Penso nos idiotas, faço umas contas e creio que nossa medicina está equivocada quando trabalha no sentido de prolongar a vida das pessoas aqui nesse vale de lágrimas que chamamos nosso lar. Se a ciência realmente fosse avançada, trabalharia no sentido contrário: diminuiria o tempo de sofrimento do ser humano sobre a face da terra, viveríamos menos e sem ressaca, e aproveitaríamos nosso tempo livre para, entre outras coisas, beijar na boca e ignorar a dança dos famosos.

Esse médicos que falam em “qualidade de vida” deviam ser obrigados a ler Dostoiévski, Nietzsche e Thomas Mann que, em ensaio impecável e datado (explico na sequência) Dostoiévski, com moderação, diz: “A vida não é suave com as pessoas e podemos dizer que ela prefere mil vezes a doença criativa, doença que doa genialidade, doença que enfrentará os obstáculos a cavalo, saltando de rocha em rocha com audaz embriaguez, à saúde que anda a pé”.

Ou seja, passados quase 60 anos da publicação desse ensaio, a vida continua avançando doente, maligna, corrupta. A diferença é que, na época em que Mann especulou sobre as doenças de Nietzsche e Dostoiésvski, a saúde dos idiotas andava a pé.

Hoje, a doença cavalga a vida e o gênio, embora continue sobrevoando abismos infernais, é que anda a pé – enquanto isso, a vida prossegue, digamos, “prossegue” e continua não fazendo qualquer distinção moral entre saúde e doença.

Quem faz essa distinção – pasmem – são os idiotas e as nutricionistas de plantão. A ponto de um idiota doente, hoje, ser mais reverberante que um gênio: tanto faz se esse gênio tem a saúde zerada ou se traz consigo um câncer de pâncreas.

Thomas Mann não teria chance com Pedro Bial. Os idiotas tomaram a insanidade de assalto, eles discorrem sobre vinhos e barris de carvalho, fazem lipoaspiração diante das câmeras e dão receitas de feijoada de soja na internet. As auras, as iluminações e os élans, a crucificação e o martírio também foram pro beleléu.

Na verdade, depois que os idiotas ocuparam todos os espaços, valha-me, Nelson Rodrigues!, urge inventar um novo termo para denominá-los. Gênios, Jobs, qualquer coisa assim…

Nem santo Agostinho, nem Bispo do Rosário. Outro dia li um ensaio de Maria Rita Kehl em que ela analisava o Planeta Melancholia de Lars Von Trier, a psicanalista afirma que, em tempos de Visa e Mastercard, não existe mais espaço e nem opção para a melancolia romântica, algo que – coincidentemente – nos remete à doença e à loucura de Dostoiévski estudadas por Mann em meados do século passado, mais precisamente em julho de 1945.

Infelizmente, o autor de Os Buddenbrooks apostou suas fichas no poder de subversão do gênio, e quebrou a cara. Perdeu. Perdemos.

Impossível hoje, diz Rita Kehl, cogitar “num flâneur a recolher restos de um mundo em ruínas pelas ruas de uma grande cidade (Baudelaire) de modo a compor um monumento poético para fazer face à barbárie”. No alvo.

Consequentemente a dor criadora, a loucura e a doença que Mann cogitava como grandes heranças de Dostoiévski e Nietsche, hoje, não fariam sentido nem pra fazer piada sem graça em show de stand-up.

Maria Rita Kehl, psicanalista freudiana, diz com todas as letras: “o que se perdeu na transição efetuada pela psicanálise foi o valor criativo que se atribuía ao melancólico, da antiguidade ao romantismo (…) onde o melancólico pré-moderno, em seus momentos de euforia, era dado a expansões de imaginação poética, hoje a mania leva os pacientes ‘bipolares’ a torrar dinheiro no cartão de crédito”.

E arremata: “o consumo é o ato que expressa os atuais clientes da psicofarmacologia, apartados da potência criadora que sua inadaptação ao mundo poderia lhes conferir”.

Não só o Visa e o Mastercard substituíram e ocuparam o oco dentro de nossos peitos, eu acredito que devam existir outros fatores que corroboraram para a falência múltipla de nossas alminhas, ainda não sei bem quando as asas se quebraram, nem onde nem como houve a fratura e a queda, mas creio, sinceramente, que a doença, a dor e a loucura estão fazendo muita falta neste lugar que denominamos “nosso mundo”, vasto mundo… que se se chamasse Raimundo seria apenas uma rima, jamais uma solução.

* Marcelo Mirisola é colunista do Congresso em Foco, considerado uma das grandes revelações da literatura brasileira dos anos 1990. Formado em Direito, jamais exerceu a profissão. É conhecido pelo estilo inovador e pela ousadia, e em muitos casos virulência, com que se insurge contra o status quo e as panelinhas do mundo literário.

* * *

Blog da Nívia de Oliveira Castro

Comente!

Adicione um comentário abaixo, ou trackback para o seu site. Você pode também inscrever-se para esse comentário via RSS.

Seja elegante. Mantenha-se dentro do assunto, não escreva tudo em maiúsculas e, claro, sem Spam.

(necessário)