O Caipira Itinerante de Antonio Barreto e Margareth Makiolke


A Cachaça da Happy Hour

Esta semana terminou mais um capítulo anual do BBB, o lixo televisivo da Globo e do poeta de parachoques de caminhão Pedro Bial, que na atual edição amargou índices medíocres de audiência no Ibope. Bem feito!

Grande parte deste fracasso global deve ser creditado, em contrapartida, ao estrondoso sucesso que o amigo Antonio Barreto alcançou na rede com o seu cordel encantado Big Brother Brasil, um programa imbecil.

Pela competência em sensibilizar tantos corações e mentes contra a baixaria na TV, presto minha homenagem ao cordelista baiano exibindo uma composição sua em parceria com Margareth Makiolke e sua bela voz.

Cordelista Antonio Barreto

CAIPIRA ITINERANTE

Música e voz: Margareth Makiolke (vocalista do grupo paranaense Viola Quebrada)
Letra: Antonio Barreto (extraída do folheto de cordel Canto Lírico de um Sertanejo)

Sou do seio das catingas
Lá das bandas do sertão
Carrego na veia a essência
Dos acordes do azulão
Do açum preto, o sustenido
Da cigarra, o alarido
Da coruja, a solidão.

Bode deserto no pasto
Apartado do rebanho
Asa Branca em retirada
Cobra que não tem tamanho
O tatu-bola escondido
Um lobisomem sofrido
Assanhaço sem assanho.

Umbuzeiro não dá coco
Coco não vira melão,
Eu que já nasci caboclo
Vou viver lá no sertão.

Sou caipira itinerante
Águas velozes do rio
Bem-te-vi anunciando
Que andorinha está no cio
O verão queimando a mata
Um cachorro vira-lata
Todas as noites de frio.

Urubu buscando a presa
Papagaio falador
Gavião beijando as nuvens
Inocente beija-flor
Sou preguiça descansando
Nessa estrada passeando
Sem inveja do condor.

Umbuzeiro não dá coco
Coco não vira melão,
Eu que já nasci caboclo
Vou viver lá no sertão.

Sou a imensidão do açude
Suas águas cristalinas
Lágrimas desatinadas
Escorrendo nas colinas
Todo o frio das invernadas
A solidão das manadas
As serpentes assassinas.

Sou o abôio dos vaqueiros
Pelos ventos da alegria
Nessa estrada empoeirada
Seja noite ou luz do dia
Sou o berro da manadas
As estrelas prateadas
A viola e a cantoria.

Umbuzeiro não dá coco
coco não vira melão,
Eu que já nasci caboclo
vou viver lá no sertão.

Sou o mistério luminoso
Do pequeno vaga-lume
Brincadeira de cometas
Das rosas, todo o perfume
Sou a solidão das rochas
O fogo aceso das tochas
Das noites, todo o negrume.

Rodas do carro-de-boi
Nas estradas do sem fim
Com seu gemido sem cura
Acenando adeus pra mim
Apagando da memória
A doce infância de glória
Deste louco querubim…



Via A Voz do Cordel

Cordelista baiano

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Blog da Nívia de Oliveira Castro

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