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No futebol pela TV quem perde o jogo é o torcedor

Enviado por em 18 de março de 2011 – 11:04Comente

Business Football Club

A CADEIA PRODUTIVA DO FUTEBOL

Do blog O Chefe de Redação, via Luis Nassif *

O provável desfecho da venda de transmissões do Campeonato Brasileiro de Futebol – com os clubes negociando um a um com a Rede Globo – será um passo atrás, mas em um processo de modernização do futebol que ainda haverá de se realizar nos próximos anos.

O Grêmio vendeu todos os direitos de transmissão à Globo – TV aberta, fechada, pay-per-view, internet – por R$ 46 milhões. Para efeito de comparação, a proposta da Rede Record ao Clube dos 13 permitiria ao Corinthians receber R$ 42 milhões apenas pela transmissão de dois jogos por semana, pela TV aberta. Fora o que os clubes poderiam obter com a venda para os demais meios.

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Não apenas isso. A chamada cadeia produtiva do futebol parece bastante com a da cadeia do audiovisual, dos filmes, desenhos.

Uma primeira fonte de renda é a bilheteria no estádio. Uma segunda, a exploração de serviços no próprio estádio, entre os quais a exploração comercial das placas. Uma terceira, a venda dos direitos de transmissão para diversas mídias.

Mas este é apenas o começo.

Nos filmes, por exemplo, há o produto principal, o filme em si. Depois, toda uma indústria para explorar a imagem dos personagens principais: bonecos, camisetas, objetos em geral.

Nesse modelo, a transmissão do filme pela TV aberta é a parte menos relevante do ponto de vista monetário, mas a que alavanca toda a corrente de produtos decorrentes do lançamento. A começar do patrocínio individual de empresas a cada clube.

A comercialização internacional dos direitos de imagem, por seu lado, abria espaço para as excursões dos maiores clubes, sempre rentáveis.

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No caso de futebol, já houve ensaios para lançamento de cartões de crédito de clubes, aparelhos de telefone, sem contar as tradicionais camisetas, bandeiras, álbum de figurinhas.

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Nos acordos com a Globo, os clubes negociavam o direito de imagem. Mas até logotipo de patrocinadores era boicotado nas transmissões. No recente acordo fechado, o Grêmio abriu mão até da exploração das placas comerciais de seu estádio.

Tornou-se quase um funcionário da emissora.

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O ponto central da história é que o abuso de poder econômico fere de várias maneiras os direitos do consumidor. Para não atrapalhar sua grade de programação, a Globo exige que os jogos comecem às 22 horas. Com isso, matou a possibilidade de milhares de torcedores irem aos estádios.

Do mesmo modo, esconde os principais jogos da sua grade, para não competir com outros programas. Hoje em dia, mesmo com a abundância de canais a cabo, a transmissão se concentra em pouquíssimos jogos, deixando ao relento torcedores de clubes não contemplados.

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Recentemente, o CADE (Conselho Administrativo de Direito Econômico) exigiu um compromisso da Globo e do Clube dos 13 de definir regras claras de competição pelos direitos de transmissão. Ao negociar individualmente com cada clube, a Globo dá um by-pass no acordo.

Ocorre que, no direito econômico, o foco principal do regulador são os direitos do consumidor.

É sob esse ângulo que o CADE precisará focar suas análises sobre as transmissões no futebol.

* Coluna Econômica no blog do Luis Nassif

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Blog Chefe de Redação

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