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Nem Cristo nem Nossa Senhora escapam à invasão chinesa

Enviado por em 4 de fevereiro de 2011 – 15:43Um comentário

Cristo Redentor - réplicas e estatuetas

AS ESTÁTUAS CHINESAS DO CRISTO REDENTOR E NOSSA SENHORA APARECIDA

Grande parte das estátuas do Cristo Redentor e de Nossa Senhora Aparecida, vendidas nas lojas de turistas do Rio de janeiro e em todo o Brasil, é originária da China.

Igualmente, bolsas de palha, colheres de madeira e cestas de vime parecidas com as do artesanato indígena e tapetes “persa” vêm do país asiático. E, até em Veneza, metade do vidro vendido como made in Murano é feito por mãos chinesas, longe da Itália.

A China avança nas cópias de produtos típicos, e os clones vão do artesanato, caso do vidro veneziano e do tapete do Irã, aos materiais sintéticos, cuja semelhança com os originais engana os leigos.

O preço é o principal atrativo. As bolsas chinesas custam até metade do preço. Quem compra para dar de presente ou mesmo revender nem quer saber se a mercadoria é chinesa ou não.

Nas lojas da rua 25 de Março — região de comércio popular em São Paulo –, estatuetas de santos feitas na China ocupam prateleiras do chão ao teto. Só os vendedores são brasileiros. O resto é tudo asiático.

Em Aparecida (SP), que recebe devotos de Nossa Senhora, a mesma coisa se repete – as imagens chinesas também passaram a dominar o espaço comercial daquele cenário religioso.

CHINA EM VENEZA E IPANEMA

Na Europa, com a crise, a dificuldade de competir com o produto chinês é ainda mais evidente. A recessão impôs um padrão de preços muito difícil de igualar. Enquanto um brinco de vidro italiano custa cerca de 25 (R$ 57), o chinês é comercializado por 6 (R$ 14), como se fosse original da Itália.

O mesmo problema é enfrentado por artesãos do Rio de Janeiro, que produzem objetos feitos com pedras brasileiras. Enquanto os anéis nacionais custam em torno de R$ 20 na feira hippie de Ipanema, peças com cópias de pedras “brasileiras” feitas na China são vendidas por apenas R$ 7.

Em alguns casos, o produto chinês pode ter acabamento mais perfeito que o original. O tapete chinês que clona o persa não tem imperfeições na trama, é tão perfeito que parece feito por uma máquina. E o tapete persa não pode ser assim. “No islamismo, só Alá é perfeito”, brinca um comerciante sobre o artigo.

É verdade. Os tapetes chineses são padronizados – algumas estampas são escolhidas e o artesão as reproduz em série. O chinês fabrica mais rápido e o preço cai. E o artesão persa é mais indisciplinado que o chinês. Ele cria enquanto trabalha.

Aqui também não é diferente.

Artesão brasileiros prejudicados por cópias chinesas

* Imagem do topo capturada na galeria de @nnita, no Flickr, ilustrando matéria remixada de Verena Fornetti, na FSP.

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