Na viagem aos EUA todos queriam ver Dilma, menos Obama

Crescimento econômico brasileiro

OBAMA, QUEM DIRIA, CORREU DA DILMA

A Cachaça da Happy Hour

Talvez nem todos tenham percebido que a pauta principal dos repórteres que cobrem para a velha mídia uma viagem presidencial ao exterior consiste em procurar gafes de nossos chefes de Estado.

A intenção é passar a ideia de que assuntos sérios são uma chatice que não interessa a ninguém e que as gafes são uma característica tupiniquim. Com isso, reforçam o eterno complexo de viralata.

DILMA E O PORRETE AMERICANO

por Paulo Moreira Leite *

A presidenta Dilma fez uma viagem recente aos EUA onde não ocorreu nenhuma gafe, o que explica a pouca atenção que recebeu por parte da maioria de nossos jornais e revistas.

Por isso foi considerada uma viagem “morna”, que reflete uma realidade que nossos observadores não querem ou não conseguem admitir.

“Todo mundo queria ver Dilma menos Barack Obama,” escreveu o jornalista Jason Farago, correspondente do Guardian na capital norte-americana, num comentário que até hoje repercute na internet.

A tese de Farago é que a viagem serviu para mostrar um vazio da diplomacia americana, que não estava preparada para a emergência de um país que já não se comporta como uma nação subalterna quando tem assuntos a tratar com Washington.

Num esforço para avaliar a visita por um ângulo menos banal, Farago descreve o esforço de várias autoridades americanas para ouvir a presidente, conhecer suas ideias e ter notícias do Brasil.

São sinais de uma nova realidade mundial, escreve, lembrando já se tornou até ridículo falar em países emergentes, considerando que são nações que já emergiram – enquanto as velhas potências ameaçam submergir em sua própria crise.

Avaliando o comportamento de Obama, Farago lembra que há um descompasso entre a realidade do mundo de 2012 e a doutrina imperial americana, que pregava que a América era um quintal dos Estados Unidos, noção que, com poucas nuances, até hoje alimenta a diplomacia de Washington.

“Nós fazíamos o que queríamos e dizíamos aos outros para não se intrometerem. A ideia de que um país latino-americano poderia servir de modelo está além de nossa compreensão. Agora, pela primeira vez, uma segunda grande potência está crescendo no pedaço, mas entre nós, gringos, os velhos hábitos do grande porrete custam a morrer.”

A conclusão não poderia ser mais realista: a grande lição da viagem de Dilma foi mostrar incapacidade do governo americano estabelecer uma política externa de acordo com os tempos atuais.

* Completo no Vamos Combinar

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