Mineração ‘verde’ de ouro com açúcar derivado do amido de milho

O JEITO LIMPO DE BAMBURRAR NO GARIMPO

Extração de ouro com açúcar

Topar com uma mina de ouro no seu quintal pode significar riqueza, mas não necessariamente imediata. Você vai ter, primeiro, que investir muito até que venha a colocar, enfim, as mãos no precioso metal.

Embora existam os chamados aluviões — locais raros onde o metal se acumula na forma de pepitas — nas grandes minas o ouro não ocorre puro, mas associado com outros elementos, sobretudo o enxofre.

É aí que os problemas começam, porque a separação do ouro desses chamados minérios sulfetados é feita com o supertóxico e perigosíssimo composto chamado cianeto, quando não se usa o mercúrio clandestinamente.

Mas as coisas agora começar a mudar. Técnicos da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, descobriram uma forma promissora de substituir o cianeto por um açúcar derivado do amido de milho.

A técnica para esta produção mais “verde” não apenas extrai o ouro do minério bruto, como o faz de maneira mais eficiente, deixando para trás outros metais que normalmente contaminam o ouro, exigindo novas etapas de purificação.

Além disso, o novo processo poderá ser usado para extrair ouro do lixo eletrônico, quando os produtos tecnológicos de alto consumo que chegam ao fim da sua vida útil.

GARIMPO NO LABORATÓRIO

Como acontece com os garimpeiros de sorte, a nova “mina de ouro” surgiu por acaso. Aconteceu quando os cientistas sintetizam uma estrutura cúbica tridimensional que pudesse ser utilizada para armazenar gases e pequenas moléculas.

Inesperadamente, sais de ouro misturados a uma espécie de açúcar chamado alfa-ciclodextrina — uma fibra alimentar solúvel com seis unidades de glicose –, precipitou a formação quase imediata de “agulhas” de ouro.

Os pesquisadores, então, se deram conta de que a reação estava produzindo um resultado completamente inovador, pois ela extraía o ouro dos sais de auratos.

Em vez dos perigosos rejeitos da lixiviação por cianeto, o novo processo produz sais metálicos alcalinos que são relativamente benignos em termos ambientais.

E a técnica poderá render também outras aplicações além da mineração – sobretudo na emergente ciência dos nanofios. As estruturas supramoleculares produzidas na reação têm, individualmente, 1,3 nanômetro de diâmetro.

Em cada nanofio, o íon de ouro fica no meio de quatro átomos de bromo, enquanto o íon potássio é cercado por seis moléculas de água – todos esses íons estão dispostos de forma entre anéis de alfa-ciclodextrina.

“Há um bocado de química empacotada nesses nanofios,” disse o professor Fraser Stoddart, indicando que novos estudos poderão revelar quais são as propriedades dessas estruturas até agora desconhecidas.

Com Inovação Tecnológica

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