Mídia acusa governo de corrupto de olho nas verbas de publicidade


Manipulação nas denúncias da mídia

A CHANTAGEM MARROM

O Chefe de Redação

Tempos atrás um grande anunciante de mídia atrasou, por algum motivo, a data tradicional para o lançamento de sua campanha publicitária anual. Dentro das redações, onde eu trabalhava à época, começou o burburinho sobre uma possível suspensão em definitivo da veiculação dos anúncios naquele ano, com a perda do faturamento agendado pelos meios de comunicação.

Foi quando alguma fonte anônima relatou um providencial incidente nas instalações de uma das fábricas da companhia. Segundo a denúncia, jamais comprovada, um funcionário teria caído de uma passarela dentro de um tanque de concentrado de refrigerante. O corpo nunca foi encontrado porque, segundo as especulações, teria se dissolvido no material ácido.

Porém foi a chance milagrosa que caiu do céu para a mídia fazer um escândalo dos diabos. Pressionada pela chantagem das manchetes sensacionalistas, a empresa providenciou rapidinho o “cala-boca” com uma farta distribuição de anúncios de página inteira nos jornais e revistas, além da compra de generosos minutos de propaganda na televisão. E, como que por encanto, o assunto morreu.

Este exemplo, que eu presenciei de dentro do aquário, é parecido com o bombardeio agora disparado contra o Ministério do Esporte e o governo Dilma. O próprio Globo.com dá a pista da origem da indignação seletiva da mídia com os supostos casos de corrupção:

GASTOS DO GOVERNO COM PUBLICIDADE SÃO 42% MENORES EM 2011

Nos nove primeiros meses de governo Dilma, a redução de gastos com publicidade, se comparados ao mesmo período do ano passado – quando foram gastos cerca de R$ 523,4 milhões – foi de 42,6%. A previsão do Orçamento da União em 2011 é de R$ 626,4 milhões com propaganda, mas até setembro, apenas R$ 300,5 milhões foram utilizados, sendo R$ 81,2 milhões em publicidade institucional e R$ 219,3 milhões na área de utilidade pública.

Dados da ONG Contas Abertas indicam, também, que a própria Presidência da República está entre os campeões de gastos. Dos R$ 210,3 milhões disponíveis ao órgão, R$ 99 milhões já foram utilizados. Deste total gasto, R$ 42,8 milhões referem-se a restos a pagar de contratos ainda do governo Lula.

Mas se não levarmos em conta os compromissos com gestões anteriores, o Fundo Nacional de Saúde, gestor financeiro dos recursos do Sistema Único de Saúde (SUS), assume a liderança do ranking, com R$ 66 milhões executados este ano. O valor equivale a 47,8% do montante de R$ 139,3 milhões.

Já o Ministério do Esporte, que está no centro de uma grave crise por conta de denúncias de desvio de verbas, gastou R$ 12 milhões dos R$ 44,3 milhões destinados à pasta, isso a apenas três anos para a Copa do Mundo de 2014, megaevento esportivo que será sediado no Brasil.

Gastos de quase R$ 1,8 milhão por dia

Ao traçar um paralelo com os nove primeiros meses do ano passado, a queda com gastos em comunicação publicitária foi de 39,7%. De janeiro a setembro de 2011 foram gastos R$ 185,3 milhões, já em 2010 a despesa alcançou a cifra de R$ 307,2 milhões.

O governo federal é o maior anunciante do país e aplicou R$ 649,1 milhões em anúncios publicitários durante 2010, ano de eleição em todo o país para o executivo e legislativo. O gasto revela uma média de quase R$ 1,8 milhão por dia. O aumento em ano eleitoral é outra característica constatada. Em 2006, os gastos atingiram R$ 320,9 milhões, quase R$ 122,8 milhões a mais do que em 2007, primeiro ano do segundo mandato do governo passado.

Mídia mais utilizada foi a televisão

Segundo dados divulgados pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), de janeiro a setembro, a mídia mais utilizada foi a televisão, correspondendo a R$ 52,1 milhões dos gastos. Já o rádio ficou com a segunda maior fatia, cerca de R$ 8,7 milhões em publicidade.

O restante dos recursos gastos pela Presidência da República com publicidade nos nove primeiros meses do ano são referentes aos diversos tipos de mídias.

Visto no Luis Nassif

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O Chefe de Redação


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