Luminária de metal substitui casco de tartaruga na parede

A DECORAÇÃO ECOLOGICAMENTE CORRETA

Decoração ecológica

Dois dos maiores sustos que já tomei aconteceram num único dia. O primeiro, pela manhã, durante os mergulhos que fazia nas águas transparentes ao redor do Forte de São Mateus, em Cabo Frio.

A areia extremamente branca do fundo do mar refletia como um espelho a luz do sol a pino, sem uma única nuvem no céu, iluminando cardumes de peixes coloridos e as grutas nas rochas.

Em dado momento, um enorme vulto passou por cima de mim, como se fosse de uma lancha na superfície, embora não emitisse qualquer ruído de motor. O instinto então gritou: Tubarão!

Forte de São Mateus

Nada. Ao girar imediatamente o corpo vislumbrei uma tartaruga-verde adulta, com cerca de um metro e meio de comprimento, já fazendo com suas longas nadadeiras uma curva para retornar.

Curiosa com o invasor alienígena em seu ambiente natural – no caso eu – a criatura deu algumas voltas, ora mostrando a carapaça, ora exibindo a barriga muito clara. Parecia divertir-se.

O quelônio nadava tão próximo e tão devagar que era quase possível tocá-lo. Extasiado com a simpática companhia, retornei algumas vezes à superfície para respirar. Até que ela se foi.

Preservação da tartaruga verde

No final da tarde, o segundo susto. Por coincidência, um amigo também mergulhador passava pela minha casa quando resolveu dar uma parada para mostrar o resultado da sua caça submarina.

Na caçamba de um utilitário jazia uma tartaruga marinha com mais de 200 quilos, arpoada exatamente na mesma área em que talvez ela própria havia “brincado” comigo poucas horas antes.

Horrorizado, perdi até a fala, enquanto o camarada fazia planos para a sopa e os tira-gostos – com carne de até 80 anos, quem sabe – que serviria para os frequentadores do seu barzinho.

Luminária para decorar casa de praia

Enfim, desnecessário dizer quem foi o primeiro cliente que ele perdeu. E os demais se escafederam após o casco ser pendurado numa das paredes do bar como troféu iluminado por dentro.

O fato ocorreu em meados da década de 90, antes da criação da Lei 9605/98 de crimes ambientais, que em seu artigo 29 prevê sanções penais para a caça de espécies ameaçadas de extinção.

Naquele caso, a maior punição pelo estúpido sacrifício foi o prejuízo com a perda da clientela, enojada com a bizarra ostentação dos despojos numa época em que se começou a falar do Projeto Tamar.

Luminária para barzinho de praia

Além da cadeia, a uma falência semelhante deveriam ser condenados os que persistem com a prática, como ainda se vê em tantos bares, restaurantes e pousadas da nossa extensa orla marítima.

E sem a menor necessidade, já que fica muito mais bonito e amigável usar réplicas artísticas na decoração com temática náutica, como a luminária aramada que ajuda a ilustrar esse post.

Também por razões imponderáveis, futuramente nós próprios participaríamos de várias campanhas de preservação com a criação de um grande sucesso de vendas: nossos chaveiros de tartaruguinhas.

Chaveiro filhote de tartaruga

Clique nas imagens para ver originais e nos links sublinhados para saber mais.

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