Jovens vivendo na rua acentuam fracasso do sonho americano

Crise econômica nos EUA

SEM TETO E SEM ESPERANÇA

O Chefe de Redação

A imprensa millenarista lança mão de todo o seu arsenal de malabarismos para não mostrar os efeitos da crise econômica estadunidense e não tornar ainda mais evidente que o Brasil pós-Lula se encontra em situação financeira bastante confortável em comparação com o falido big brother do Norte.

Mas a verdade é que dezenas de milhares de jovens subempregados e desempregados nos EUA, muitos com histórico de trabalho ou de estudo universitário, estão com dificuldade em encontrar moradia na esteira da recessão, que deixou quem tem entre 18 e 24 anos com o índice de desemprego mais alto.

Sorte da rapaziada que pode voltar a viver com os pais –“o contingente bumerangue”. Mas isso não é possível para as famílias vítimas da recessão que foram despejadas dos imóveis onde moravam.

Sem endereço estável, eles formam um grupo que, em sua maioria, dorme em sofás em casas de amigos ou escondidos em carros na esperança de evitar o estigma de ser sem-teto, em uma fase difícil que esperam ser temporária.

PROBLEMA INVISÍVEL

Esses adultos jovens formam o novo rosto da população americana de sem-teto. Mas o problema se conserva, em sua maior parte, invisível.

A maioria dos governos municipais e estaduais voltam a atenção às famílias de sem-teto e não se esforça para identificar adultos jovens, que tendem a evitar abrigos.

Jovem sem-teto americana

O índice de desemprego e o número de adultos jovens que não podem pagar a faculdade “apontam para um aumento dramático no número de sem-teto” dessa faixa etária, disse Barbara Poppe, diretora do Conselho Americano Interagências sobre Sem-Teto.

O governo lançou uma iniciativa em nove comunidades, em sua maioria em cidades grandes, para buscar pessoas de 18 a 24 anos sem endereço fixo.

Nova York, Houston, Los Angeles e Boston estão entre elas. “Uma de nossas primeiras abordagens é buscar uma estimativa mais exata”, disse Poppe, cuja agência coordena o esforço.

Os setores que prestam serviços aos pobres dizem que a lenta recuperação econômica não está aliviando o problema.

“Anos atrás, não víamos universitários esperando para falar com assistente social porque estão vivendo na rua”, disse Andrae Bailey, do Centro Comunitário de Alimentação e Apoio, uma organização beneficente da Flórida. “Hoje isso é comum.”

Los Angeles fez a primeira tentativa de contabilizar os casos em 2011. Foram 3.600, mas os abrigos só tinham capacidade para 17% deles.

“Os outros ficam por conta própria”, declarou Michael Arnold, da Autoridade de Serviços para Sem-Teto de Los Angeles. “Quando se inclui quem está dormindo em sofás, esse número aumenta exponencialmente.”

Via NYT

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