Jornalistas: os bobos da corte da velha mídia e a falta de coragem

Toda vez que eu penso nos editores da velha mídia imperial, em suas bufonices e degradação ética, me ocorre – nessas abstrações e devaneios – que eles sejam tão parecidos com essa ilustração acima, algo como bobos da corte pós-modernos.

O bobo, por definição, tinha o papel de divertir o Rei e seus áulicos. Declamava, dançava, tocava algum instrumento e era o mestre de cerimônias nas festas. Podia ser até inteligente, atrevido e sagaz. Zombava da corte e, principalmente, do povo.

Com ironia mostrava as duas faces da realidade, revelando as discordâncias íntimas e, principalmente, expondo as ambições do Rei. Nada mais atual. Não por acaso, em geral era um indivíduo de grotesca figura – corcunda ou anão… moral!

O editor da tarde do iG se enquadra perfeitamente no figurino. Por esse primor de manchete que estampou na home do portal (em 21/12), revela muito bem o papel que representa nesse tipo de jornalismo que se pretende “formador de opinião”.

Quantas vezes já escrevi aqui sobre essas práticas de manipulação das manchetes. É sempre o mesmo cara, à tarde. Nessa chamada ele deixa no ar, para algum leitor mais desatento, a hipotética alta de que? De preço, claro!

Mas quando você vai lá dentro, no blog do Guilherme Barros, percebe logo que não é nada disso. Pelo contrário, a notícia verdadeira revela a mais completa festa da indústria, comércio e consumidores:

E a matéria se desenrola por aí, mostrando que o gasto médio das famílias com as cestas de alimentos, bebidas, higiene pessoal e produtos de limpeza registrou crescimento significativo, embora sem entrar em detalhes. É o espetáculo dos carrinhos de supermercados circulando lotados.

É bem verdade que esse Guilherme Barros, por sua vez, escapuliu de revelar que a queda dos preços no terceiro trimestre de 2009 foi o fator principal que contribuiu para o aumento do consumo de bens não duráveis neste período. Ou que o aumento progressivo de renda dos mais pobres tenha sido mais importante ainda.

Só que, convenhamos, aí também já seria querer demais desse tipo de gente. Imagina, o áulico tentando driblar a feroz fiscalização editorial do bobo da corte do portal com notícia tão alvissareira. Nem pensar, santa! Cadê peito pra isso?

Um comentário em “Jornalistas: os bobos da corte da velha mídia e a falta de coragem

  • 22 de dezembro de 2009 em 13:05
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    Genuíno ódio de classe estampado na manchete, minha cara. È para ser disseminada entre a ‘elite’ que tem medo e que frequenta tais excrecências virtuais.

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  • 22 de dezembro de 2009 em 10:52
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    A malandragem do blogueiro, Nívea, foi levantar a bola, como se diz, pro editor dar a cortada com a manchete. Primeiro esse camarada fez essa postagem genérica e só lá pra mais adiante é que veio com a informação principal:

    “A classe DE foi a campeã de consumo no terceiro trimestre deste ano, com expansão de 16,8% em relação ao mesmo período do ano pasado. A classe C registrou um aumento de 7,7% no volume médio de compras, enquanto AB aumentou o consumo em 5,2 %.”

    A isso, aqui no Dedo de Deus, damos o nome certo: REDISTRIBUIÇÃO DE RENDA ATRAVÉS DE POLÍTICAS SOCIAIS. Aí é que está o destaque principal, que deveria ser a manchete verdadeira.

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  • 22 de dezembro de 2009 em 09:01
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    Eu só quero ver como é que esses caras de pau vão se virar agora em 2010 quando já se sabe que a economia vai dar um salto de 6 a 7 pct.
    Nem com toda a imaginação do mundo eles vão conseguir camuflar o “espetáculo do crescimento”.
    No fundo vai ser divertido ver o desespero mental deles.

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