Jornalista não mente sempre, às vezes até inventa coisas boas


Invenção da caneta esferográfica

UM ‘FURO’ DE VERDADE

O Chefe de Redação

A imprensa tradicional — e decadente — vem consolidando a imagem de que jornalista só serve para distorcer os fatos e transmitir ao público informações que interessam aos grandes grupos econômicos.

Pelo menos os profissionais mais vistosos da velha mídia costumam agir assim, saudosos do passado de exclusão. Tal percepção se acentuou com a expansão da blogosfera independente e redes sociais.

Mas nas redações ainda há excessões, gente boa que exerce o seu ofício com responsabilidade. E que até inventa, não as notícias, mas coisas capazes de mudar o mundo, só que para melhor.

Como se sabe, hoje em dia, mesmo finalizando o texto nos teclados e telas de computadores, a captura do que é notícia por um repórter sempre começa na ponta de uma caneta, disso não se escapa.

Agora imagina quando, lá atrás, se usava caneta tinteiro, recarregável, com aquelas penas douradas na ponta. Quem já manuseou uma dessas já viu que aquilo espalha tinta pra tudo quanto é lado — no bolso, inclusive.

Foi assim que há mais de sete décadas o jornalista húngaro László Bíró, incomodado com o tempo perdido, entre outras, para recarregar a sua caneta e a aguardar que a tinta secasse no papel, teve uma ideia luminosa para a escrita.

Em 1938, trabalhando com o seu irmão Georg, patenteou o design de uma caneta que utilizava uma minúscula esfera rotativa na ponta. O conceito era simples: à medida que a esfera rolava com o atrito no papel, entrava em contato com a tinta num canudinho acoplado e transferia o pigmento para a superfície onde escrevia.

Apesar de já haverem propostas do gênero no passado, o design dos Bíró resolvia muitos dos problemas práticos relacionados com o entupimento e fugas indesejadas de tinta.

Nos anos 40 do século passado, eles licenciaram o design a inúmeros fabricantes nos Estados Unidos e Inglaterra mas, foi somente uma década depois que todos os problemas foram sanados por Marcel Bich, um fabricante francês que criaria um dos objetos mais marcantes de toda uma cultura ocidentalizada. Nasceu assim um ícone: a caneta BIC crystal.

Este verdadeiro símbolo da democracia — com um custo tão barato que o torna acessível a qualquer bolso — é também um dos primeiros produtos de uma cultura de “usar e jogar fora”, permitindo inclusive que inúmeras propostas viessem a ser criadas à volta deste objeto.

As utilidades somente estão limitadas pela nossa imaginação, como será possível observar na galeria de imagens do Socialphy, como esta luminária abaixo e outros objetos de arte criados com os famosos tubinhos de plático da BIC.

Reciclagem de canetas esferográficas

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O Chefe de Redação


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