Instituto Ethos fiscaliza seus patrocinadores Siemens e Alstom

A RAPOSA TOMANDO CONTA DO GALINHEIRO

Raposa cuidando das galinhas

Tucanos de alta plumagem botaram mais uma raposa para tomar conta do galinheiro. Como se sabe, a Siemens e a Alstom, duas campeãs mundiais no pagamento de suborno patrocinam, no Brasil, ninguém menos que o Instituto Ethos.

E qual é o objetivo da organização, segundo sua declaração de princípios? Combater “o tráfico de influência e a oferta ou o recebimento de suborno ou propina por parte de qualquer pessoa física ou entidade pública ou privada”.

E o Ethos foi convidado pelo governador Geraldo Alckmin com qual finalidade? Integrar a “Comissão Pró-Transparência” do escândalo do metrô e trens paulistas superfaturados, em conluio com quem? Com a Siemens e a Alstom!

(Pausa para gargalhadas)

O vice-presidente do Ethos, Paulo Itacarambi, alega não haver conflito de interesses no fato de ser patrocinado pelas duas empresas, já que recebe “apenas” R$ 18 mil e R$ 14 mil por ano da Alston e da Siemens, respectivamente.

Não é verdade, porque somente a Siemens destinou 3 milhões de dólares para um dos projetos do Ethos, os “Jogos Limpos”.

Parceria empresarial

Não foi o Banco Mundial quem selecionou os projetos aos quais seria destinado dinheiro das sanções sofridas pela empresa por corrupção. O Banco Mundial apenas acompanha, com direito de veto, a escolha dos programas.

A Alstom também não é uma mera sócia contribuinte. Foi, ao lado da Siemens e de outras empresas, a patrocinadora da edição de uma revista sobre responsabilidade das empresas em relação às eleições.

Aliás, como organizador do Pacto Empresarial pela Integridade e contra a Corrupção, o Ethos também não sabia das condenações da Siemens e da Alstom por distribuírem propina a rodo, mundo afora?

Parece que o pessoal do Ethos é tão desentendido quanto os tucanos Alckmin e Serra, que não sabiam nada sobre as 45 investigações conduzidas pelo Ministério Público Estadual nos últimos quinze anos.

A ética da jabuticaba lembra aquela história do mafioso que mandava matar e levava flores ao enterro. Aqui, roubam e com um trocado deste dinheiro financiam as ONGs da “honestidade”. E ainda é dedutível no Imposto de Renda!

Com Fernando Brito

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