Inimigo de Estado: é como governo dos EUA classifica Julian Assange

Assange - Enemy Of The State

PERSEGUIÇÃO IMPLACÁVEL

O Chefe de Redação

Julian Assange e o WikiLeaks estão classificados como “inimigos de estado” pelas Forças Armadas dos Estados Unidos, na mesma categoria que a rede terrorista Al Qaeda e o grupo insurgente afegão Talibã.

O arquivo da inteligência militar das Forças Aéreas dos EUA, cedido por conta da lei de direito a informação, revela que os oficiais que se comunicarem com a administração do site podem ser denunciados de “comunicação com inimigo”. A sentença máxima para este delito militar é a pena de morte.

Os documentos mostram que os militares norte-americanos investigaram um analista de sistemas cibernéticos do Reino Unido que poderia ter demonstrado apoio ao WikiLeaks participando de manifestação pró-Assange.

Os oficiais queriam saber se este homem, que tinha acesso a informações secretas do governo dos EUA, estava se “comunicando com o inimigo” e vazando documentos para o site.

Os investigadores acabaram concluindo o caso sem nenhuma acusação judicial formal ao analista, que foi desligado do cargo. Mas, nem todas as histórias terminaram assim.

SOLDADO SOB TORTURAS

Bradley Manning, soldado norte-americano responsável por vazar documentos sobre a guerra do Iraque para o WikiLeaks, está sendo processo por “ajudar o inimigo” por transmitir informações que se tornaram acessíveis à organizações terroristas. Há mais de 800 dias, Manning enfrenta abusos e torturas em prisões dos EUA, segundo informou Assange.

O Wikileaks e seu fundador já foram classificados como “terroristas” por diversas autoridades importantes norte-americanas.

O vice-presidente dos EUA, Joe Bidden, chegou a chamar Assange de “terrorista high-tech” em dezembro de 2010; líderes congressistas pediram para o jornalista ser acusado de “espionagem”; e os republicanos Sarah Palin e Mike Huckabee exigiram que o governo “caçasse” Assange.

Michael Ratner, advogado do fundador do Wikileaks, disse que a designação do site como “inimigo” tem sérias implicações para Assange se ele for extraditado para os EUA. Segundo ele, o jornalista pode enfrentar até mesmo a prisão militar.

IMPÉRIO DOS SEGREDOS

A divulgação das informações vem apenas um dia depois de discurso de Assange via videoconferência para grupo de diplomatas na Assembleia Geral das Nações Unidas. Em 15 minutos, o fundador do WikiLeaks ironizou o discurso do presidente Barack Obama e apontou a hipocrisia do governo norte-americano.

“Chegou a hora dos EUA terminarem com a perseguição ao WikiLeaks, a nossa gente e às nossas fontes. Chegou a hora dos EUA se juntarem às forças da mudança não em belas palavras, mas em boas ações”, disse ele.

O jornalista também afirmou que os EUA construíram um “regime de segredos”.

PROCESSO CONTRA ASSANGE

Assange, que lançou o WikiLeaks em 2010, é procurado pela Justiça da Suécia para responder por um suposto crime sexual. Ele ainda não foi acusado ou indiciado.

No Reino Unido, ele travou uma longa batalha jurídica contra sua extradição para o país escandinavo, que se recusava a interrogá-lo em solo britânico. No entanto, a Suprema Corte do Reino Unido decidiu que ele deveria ser extraditado.

Há sete semanas, o jornalista buscou asilo na Embaixada do Equador em Londres, em uma jogada classificada como “tenaz” pela imprensa local.

Assange teme que, após ser preso na Suécia, os Estados Unidos peçam sua extradição, onde poderá ser julgado por crimes como espionagem e roubo de arquivos secretos.

O WikiLeaks obteve acesso e divulgou centenas de milhares de arquivos diplomáticos norte-americanos, muitos deles confidenciais.

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