Igbo-Obra: a cidade africana onde todas as famílias têm irmãos gêmeos

NIGERIANOS SÃO OS RECORDISTAS MUNDIAIS

Oshadipe Twins

No Brasil, quem nunca ouviu falar de Cândido Godói, uma cidadezinha do interior do estado do Rio Grande do Sul, conhecida como a Terra dos Gêmeos?

O município gaúcho de 7 mil habitantes ganhou o título porque entre os nascidos entre 1919 e 1994, 10% eram gêmeos. A média nacional é de 1%.

Agora quem está conhecida como a Nação dos Gêmeos, só que em proporção ainda maior, é a comunidade de Igbo-Obra, no sudoeste da Nigéria.

O nome é apropriado porque, segundo as lideranças locais, 100% das famílias teriam um casal de gêmeos. Algumas chegam a gerar 10 pares de gêmeos.

BATATA-DOCE MILAGROSA

A África Ocidental tem o maior número de nascimentos gêmeos de todo o mundo e isso é algo muito comum para os habitantes da cidade nigeriana.

A título de comparação, estima-se que apenas 1,2% dos partos são de gêmeos em países da Europa Ocidental, caindo para apenas 0,8% no Japão.

Brincando, os gaúchos apostavam na existência de algum mineral na água da região, que teria propriedades “milagrosas” responsáveis pelo fato.

entre os africanos, o efeito estaria relacionado ao grande consumo de inhame e batata-doce, devido a um certo poder de estimular os ovários femininos.

Os cientistas sabem que esses tubérculos possuem substâncias que se confundem com estrogênio no corpo humano, mas são céticos quanto à teoria.

A melhor explicação para tantos gêmeos é a genética: se uma família tem uma história de nascimentos múltiplos, isso passa para as próximas gerações.

ALMAS COMPARTILHADAS

O povo yorubá se orgulha de seus gêmeos. É uma grande honra perpetuar algo que ocorre desde os tempos pré-coloniais. Mas, nem sempre foi assim.

Em tempos remotos, era comum a comunidade ou a própria mãe, matar um dos gêmeos porque existia a crença de que os dois juntos atrairiam má sorte.

Hoje, o nascimento de gêmeos é um excelente presságio já que os gêmeos compartilhariam a mesma alma: quando um morre, o outro fica sem sua metade.

A mãe protege a criança até a fase adulta quando, então, a pessoa passa a cuidar sozinha de sua alma. A tradição ajuda as famílias a superarem as perdas.

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