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Galvão Bueno, Globo e UFC: armação ilimitada de espertalhões

Enviado por em 25 de janeiro de 2012 – 12:22Comente

Narrador da Globo Galvão Bueno

A ENCENAÇÃO DO GALVÃO

A Cachaça da Happy Hour

Me engana que eu gosto, Galvão. Só mesmo cérebros muito atrofiados para não sacar o golpe baixo da Globo na madrugada de domingo, 15, durante a abertura da temporada de transmissões de lutas de UFC-MMA. Se até colunista da Veja celebrou os índices de audiência (e retorno dos patrocinadores) da pancadaria, tem mesmo que por as barbichas e madeixas de molho.

Convenientemente, os Gladiadores “tupiniquins” do Terceiro Milênio, para usar o adjetivo do papagaio global, detonaram no octógono os gringos desafiantes — para a felicidade geral da patuleia excitada com a trocação… de murros, chutes e joelhadas. Resultados mais encomendados, só nas antigas encenações de telecatch ou nas lutas de boxe nos cassinos controlados pela máfia, em Las Vegas.

UFC-MMA, BBB & DESPUDOR – A INDÚSTRIA DECIDIU NAUFRAGAR 

por Alberto Dines *

O desbunde não ocorreu nas praias: as chuvas torrenciais e as temperaturas suportáveis em grande parte do país levaram todos para dentro de casa.

Então o país mergulhou na TV para assistir ao espetáculo da equalização absoluta: enfim a sociedade sem classes, literalmente desclassificada, nivelada por baixo, babando de prazer, brutalizada e feliz da vida por estar sendo enganada.

Esta nova luta chamada UFC-MMA não pode ser considerada esporte. É uma armação comercial, manipulada, montada por espertalhões e avalizada por um sistema midiático que se associou para anestesiar o nosso senso crítico.

Esta modalidade pugilística inventada pela família Gracie seria inofensiva se a mídia inteira – rádios, TV aberta, TV por assinatura, jornalões sizudos, jornalecos e portais-bolha da internet – não se acumpliciasse para promover “a competição do futuro”.

Nas TVs e rádios, jornalistas jovens, lindas e animadas, anunciavam o “fenômeno que está apaixonando crianças e mulheres.” Isso é criminoso, sobretudo em concessões públicas.

A Rede Globo tem o direito de comprar os produtos que considera compatíveis com os seus paradigmas, mas o resto da mídia (principalmente a Folha de S.Paulo e a Veja) não precisa aderir a essa escancarada prostituição que infecta e contagia as demais modalidades jornalísticas que pratica.

ALÉM DOS LIMITES

A nova edição do BBB foi parar no horário nobre e na capa dos jornalões numa audaciosa e despudorada jogada de marketing televisivo.

Pura enganação.

De novo: as Organizações Globo têm o direito de badalar seus lançamentos da forma que lhes aprouver, ela é craque. Mas a concorrência tem obrigação de exercer o contraditório. Se não o fizer, caracteriza o oligopólio. Uma mídia que limita suas obrigações fiscalizadoras compromete sua credibilidade e seu compromisso com a independência.

Neste verão a mídia está passando dos limites: igualzinha à Costa Cruises, proprietária do [Titanic do Terceiro Milênio] Costa Concordia, que recomendou aos comandantes aproximar seus barcos dos vilarejos do litoral para animar o espetáculo turístico. O naufrágio era inevitável.

No Observatório da Imprensa

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