Foto da árabe Dana Bakdounis provoca debate mundial no Facebook

Dana Bakdounis sem véu

MULHER SEM VÉUS

A Cachaça da Happy Hour

A imagem de uma mulher jovem está provocando uma formidável controvérsia mundial no Facebook.

É uma foto banal e ao mesmo tempo extremamente provocativa.

Banal porque não há nudez, nem completa e nem parcial, a não ser que você considere braços de fora alguma coisa no gênero.

Provocativa porque a foto é de uma síria de 21 anos, Dana Bakdounis.

Dana postou há poucas semanas sua foto sem véu num grupo criado no Facebook por mulheres árabes em busca de igualdade de direitos.

Nela, segura sua identidade e um bilhete manuscrito que é um pequeno manifesto, intitulado “A primeira coisa que senti quando tirei meu véu”.

Nele afirma: “Estou com o Movimento de Liberação da Mulher Árabe porque, ao longo de 20 anos, não me permitiram sentir o vento em meu cabelo e em meu corpo”.

A fotografia, ninguém sabe explicar por que, foi uma sensação instantânea. Em pouco tempo, atraiu 1.600 likes, foi compartilhada 600 vezes e recebeu 250 comentários.

Com isso, o grupo ganhou uma visibilidade que ainda não tinha.

Os debates se acirrariam ainda mais quando, algum tempo depois, o Facebook simplesmente tirou a foto do ar, sem explicações, e também bloqueou a conta pessoal de Dana.

This is who I am - Dana Bakdounis

Censura? Um ataque à liberdade de expressão?

Os protestos tomaram a página do grupo no Facebook, hoje com 70.000 integrantes e transformado num fórum vivo de debates de jovens mulheres ávidas e insatisfeitas com a sua situação.

Uma delas disse: “Se vocês fazem este tipo de censura então não podem reivindicar os méritos pela Primavera Árabe”.

O Facebook acabaria, depois de idas e vindas, liberando a foto, e também a conta de Dana. “Minha vida mudou depois que tirei o véu”, diz ela.

“Recebi muitas manifestações de solidariedade de outras mulheres com véu. Elas diziam ter vontade de fazer a mesma coisa, mas acrescentavam que faltava a audácia que tive.”

Todos os movimentos históricos de conquista de direitos nascem das próprias vítimas de injustiça.

Sempre foi assim, das sufragettes, as mulheres inglesas que lutaram pelo direito ao voto no começo do século passado, aos negros dos EUA que combateram por sua inclusão social, para ficar em apenas dois casos.

A foto de Dana pode ser um sinal de que as mulheres árabes estão efetivamente decididas a batalhar, elas também, por sua própria Primavera.

Se for isso, a imagem entrará para a história da humanidade.

No Diário do Centro do Mundo

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