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Filmes de terror aguçam no cérebro o instinto de sobrevivência

Enviado por em 25 de novembro de 2011 – 00:25Comente

Medo de fantasmas no cinema

ESTADO DE ALERTA MÁXIMO

A Cachaça da Happy Hour

Quem nunca assistiu a um filme de terror, daqueles bem cabeludos, capaz de deixar o espectador, além de arrepiado, bem mais do que isto: gelado, respiração suspensa, se afundando na poltrona e com vontade de sair correndo, mesmo com as pernas bambas?

Pois é, acontece. As situações de stress agudo como as que vivemos no cinema, por exemplo, levam o cérebro a lembrar de experiências ruins e a reorganizar seu modo de funcionamento, segundo detalhou um grupo de pesquisadores da revista Science.

De acordo com o diretor do estudo, Erno Hermans, da Universidade de Nova York, “o stress agudo altera a forma como nosso cérebro funciona. Esta mudança de estado cerebral pode ser entendida como uma redistribuição estratégica dos recursos que são vitais quando a sobrevivência está em jogo”.

Quando o cérebro se altera, os sentidos se aguçam e o medo cria um estado de alerta que fortalece as lembranças das experiências estressantes, além de prejudicar nossa capacidade de análise.

Este tipo de estudo, realizado anteriormente com animais expostos a stress agudo, marcou uma pauta sobre as reações neuroquímicas, porque liberam vários hormônios e neurotransmissores que são capazes de alterar algumas propriedades celulares e de grande escala em povoações neuronais no cérebro.

A ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), que resulta no aumento da liberação sistêmica dos corticosteróides, é o selo distintivo da resposta à tensão. No entanto, a equipe de Hermans concluiu que o bloqueio do cortisol não influencia na reorganização da rede cerebral.

“Mostramos que a atividade neuromoduladora noradrenérgica na primeira fase de resposta à tensão provoca uma reorganização de recursos neuronais. Estes estabelecem uma rede que contém áreas envolvidas na reorientação da atenção, no aumento do alerta perceptivo e no controle automático neuroendócrino”, acrescentou.

Os cientistas expuseram os participantes a materiais cinematográficos aversivos e de outros tipos para comparar as reações cerebrais e analisar os compostos salivares em cada uma das situações.

Outra das conclusões do estudo é que as situações de stress agudo tornam difícil deliberar lentamente, enquanto se ativam no cérebro as regiões implicadas na atenção e no alerta, assim como no sistema neuroendócrino.

A pesquisa foi realizada com 80 voluntários.

No Terra

* * *

Blog da Nívia de Oliveira Castro

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