FBI achava que Charlie Chaplin se chamava Israel Thornstein

Macarthismo - Perseguição a Chaplin

IDENTIDADE FALSA

O Chefe de Redação

O posicionamento político de Charlie Chaplin, como é sabido, sempre foi de esquerda. Durante a era do macarthismo — um período de intenso patrulhamento ideológico, perseguição política e desrespeito aos direitos civis nos Estados Unidos, que durou do fim da década de 1940 até meados da década de 1950 — bastava o sujeito ser liberal para receber o rótulo de “comunista”.

Foi o que aconteceu com Chaplin, assim como com milhares de cidadãos norte-americanos. Ele foi acusado de “atividades anti-americanas” como um suposto comunista, e J. Edgar Hoover, que instruíra o FBI a manter extensos arquivos secretos sobre ele, tentou acabar com sua residência nos EUA.

A pressão do FBI sobre Chaplin cresceu após sua campanha para uma segunda frente europeia na Segunda Guerra Mundial em 1942, e alcançou um nível crítico no final da década de 1940, quando ele lançou o filme de humor negro Monsieur Verdoux (1947), considerado uma crítica ao capitalismo.

O filme foi mal recebido e boicotado em várias cidades dos EUA, obtendo, no entanto, um êxito maior na Europa, especialmente na França.

Naquela época, o Congresso ameaçou chamá-lo para um interrogatório público. Isso nunca foi feito, provavelmente devido à possibilidade de Chaplin satirizar os investigadores, o que revela bem o tipo de caráter daquela gente.

Por seu posicionamento político, enfim, Chaplin foi incluído na Lista Negra de Hollywood.

Em 1952, Chaplin deixou os EUA para o que originalmente pretendia ser uma breve viagem ao Reino Unido para a estréia do filme Luzes da Ribalta em Londres. Hoover soube da viagem e negociou com o Serviço de Imigração para revogar o visto do artista, exilando-o do país. Chaplin decidiu não voltar a entrar nos Estados Unidos, escrevendo:

“(…) Desde o fim da última guerra mundial, eu tenho sido alvo de mentiras e propagandas por poderosos grupos reacionários que, por sua influência e com a ajuda da imprensa marrom, criaram um ambiente doentio no qual indivíduos de mente liberal possam ser apontados e perseguidos. Nestas condições, acho que é praticamente impossível continuar meu trabalho no ramo do cinema e, portanto, me desfiz de minha residência nos Estados Unidos”.

Chaplin decidiu então permanecer na Europa, escolhendo morar em Vevey, Suíça.

Perseguição política a Chaplin

Agora, novos documentos divulgados recentemente pelos Arquivos Nacionais da Grã-Bretanha revelam que o gênio do cinema também foi alvo de uma investigação do serviço britânico de inteligência, depois que o governo dos Estados Unidos o acusou de ser comunista.

No entanto, os documentos – que foram disponibilizados na internet – não apresentam qualquer indício de que Chaplin tenha sido de fato “comunista”.

Durante a investigação, o serviço britânico MI5 não conseguiu sequer identificar com certeza o local de nascimento do artista ou seu nome verdadeiro, embora oficialmente tenha nascido em Londres, em 16 de abril de 1889, e registrado como Charles Spencer Chaplin.

Os agentes americanos do FBI acreditam que o nome real de Chaplin era Israel Thornstein, mas os britânicos nunca conseguiram achar a certidão de nascimento original do artista.

NASCIMENTO E ESPIONAGEM

O arquivista Edward Hampshire mostrou à imprensa os dois arquivos sobre Charlie Chaplin que foram revelados este ano.

O primeiro deles é do começo dos anos 50 e está cheio de recortes de jornais. Entre os artigos antigos, há um documento da embaixada americana pedindo que o governo britânico “investigue se Chaplin é ou foi membro do partido comunista”.

As autoridades americanas também perguntam se existe qualquer menção ao artista no Pravda, o principal jornal da era soviética.

Hampshire revela também que nunca foi encontrada a certidão de nascimento de Chaplin. Em 1920, o astro do cinema recebeu um passaporte das autoridades britânicas.

“Na ocasião, as autoridades estavam satisfeitas com a declaração de que ele havia nascido em Londres, mas não foi encontrada nenhuma certidão nas buscas que se fez em Sommerset House [prédio turístico de Londres que abrigava os arquivos oficiais de nascimento] na época”, disse o arquivista.

Uma fonte não-revelada havia sugerido que Chaplin nasceu na França. A hipótese foi investigada pelo governo britânico, mas nunca foi comprovada. Na época, também se especulou que ele teria nascido na Rússia ou no Leste Europeu.

Um segundo documento revelado agora, pede que o governo americano investigue se Chaplin era espião do governo soviético e se seu nome real era Israel Thornstein.

A correspondência da época revela que a inteligência britânica nunca achou provas que embasassem esta tese.

Com informações de Ronaldo – Livreiro

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