FairPhone substitui ‘celulares de sangue’ da África e da Ásia

TELEFONE CELULAR ETICAMENTE CORRETO

Aparelho celular

Ele chega como alternativa aos “celulares de sangue” responsáveis pela morte de crianças nas minas de tântalo na África e pelo suicídio de jovens nas linhas de montagem das fábricas-prisões na Ásia.

O FairPhone é uma iniciativa holandesa para criar um telefone celular com baixo impacto ambiental e que seja fabricado de forma socialmente ética.

Utilizando o sistema de financiamento coletivo crowdfunding, o projeto atingiu agora a meta mínima de encomendas, que abrem as portas ao começo da produção.

O objetivo foi alcançado na semana passada, quando mais de 5 mil pessoas tinham já pago para receber o novo modelo de smartphone no final do segundo semestre deste ano.

O aparelho custa 325 euros (R$ 900), tem câmeras frontal e traseira, processador de quatro núcleos, capacidade para dois cartões recarregáveis e tela de 4,3 polegadas. Está equipado com sistema operacional Android.

Celulares de sangue

Entre as acusações feitas aos fabricantes de aparelhos de eletrônicos, muitos minerais usados na sua produção são extraídos em minas ilegais, com a exploração do trabalho infantil e escravo.

Como acontece com o genocídio provocado pelos “diamantes de sangue” na Serra Leoa, duas crianças africanas morrem nas minas de matéria-prima no Congo para cada moderno gadget eletrônico portátil que carregamos no bolso e descartamos com os novos lançamentos das transnacionais do setor.

Outras vezes, os dedos críticos apontam para as condições das fábricas, especialmente na China, e para os baixos salários dos trabalhadores que montam os equipamentos nas draconianas ZPEs – Zonas de Processamento de Exportações.

A matéria-prima para o FairPhone será extraída em minas legais na República Democrática do Congo, asseguram os responsáveis, e daí seguirá para fábricas na China seleccionadas pelas boas condições de trabalho que oferecerem aos funcionários.

Minas de tântalo

O celular será enviado sem os headphones que tipicamente acompanham estes dispositivos e sem carregador, para poupar o ambiente – a maioria dos usuários já possui estes acessórios.

O projeto pretende alertar para os problemas das cadeias de produção de todo o tipo de aparelhos, mas escolheu o smartphone como um símbolo.

“Um telefone celular é simbólico, mas é o produto mais indicado, por estar tão presente no dia-a-dia”, explicou a responsável pela comunicação do FairPhone, Tessa Wernink.

“Temos uma abordagem holística em relação à cadeia que leva ao desenvolvimento de um smartphone. Temos também uma abordagem de pequenos passos. Sabemos que não podemos mudar o sistema de um dia para o outro, mas, ao introduzir determinadas alterações, o nosso objetivo é desenvolver um sistema mais justo com cada celular que produzimos”, raciocina.

Veja mais imagens do projeto FairPhone

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